Com El Niño, açúcar pode ser a commodity “super quente” de 2027, diz ex-Wilmar
O ex-diretor de operações de açúcar da Wilmar International, Jean-Luc Bohbot, afirmou à Reuters que a combinação entre a anomalia climática do El Niño e a redução dos estoques de açúcar na Índia pode transformar a commodity no mercado mais aquecido de 2027. Segundo ele, as condições atuais têm potencial para desencadear um dos cenários mais altistas dos últimos 20 anos.
Bohbot, que deixou a empresa de comercialização e processamento de commodities com sede em Cingapura no início deste ano após 15 anos, avalia que os riscos de escassez não diminuíram durante a recente alta de preços — pelo contrário, aumentaram. Mesmo após a valorização de 20% registrada em agosto, ele projeta novos picos de cotação.
No Brasil, maior produtor mundial, o último terço da safra de açúcar deve ser afetado pelo excesso de chuvas. O processamento da cana já sofreu atrasos equivalentes a cerca de 25 milhões de toneladas por causa da chuva, e as previsões de mais precipitação em setembro indicam que esse atraso pode não ser recuperado. Caso as chuvas continuem em outubro e novembro, a produção brasileira pode cair de 3 a 5 milhões de toneladas em relação à safra passada.
A Índia, segunda maior produtora, enfrenta uma monção mediana e irregular combinada a estoques muito baixos. Na avaliação de Bohbot, o país pode ser forçado a importar volumes substanciais e até se tornar um importador ainda maior em 2027, com o desaparecimento completo de suas exportações. O governo indiano já permitiu importações isentas de impostos neste ano para melhorar o abastecimento local e tentar moderar os preços.
O ex-executivo também apontou impactos em outros produtores: o clima quente e seco prejudicou a produção na Europa e na Indonésia, e a Tailândia, segundo maior exportador mundial, deve registrar queda na produção porque parte dos agricultores migrou para o cultivo de mandioca. Como fator de baixa de menor importância, ele citou a situação no Oriente Médio, diante de uma queda esperada no consumo de açúcar na região em meio à ação militar.
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Por Redação