Com rali em curso, Ibovespa encara inflação no Brasil e nos EUA; veja os cenários
O Ibovespa inicia o pregão desta sexta-feira (11) com o foco dividido entre dois indicadores de inflação que podem alterar as expectativas de juros no Brasil e nos Estados Unidos. Na quinta-feira (10), o índice fechou em alta de 1,42%, aos 188.268 pontos, e chega aos novos dados após uma sequência de valorização recente.
Nos Estados Unidos, será divulgado o CPI, índice de preços ao consumidor. A expectativa é de avanço de 0,4% em agosto e de 3,4% em 12 meses. Para o núcleo, que exclui itens mais voláteis, o consenso aponta alta de 0,2% no mês e 2,4% no ano. O dado chega após o payroll da semana passada, que mostrou a criação de 162 mil empregos, e o PPI desta quinta-feira, que subiu 0,4% em agosto e 5,4% em 12 meses. Segundo o CME FedWatch, o mercado atribui 73,1% de probabilidade a uma alta de 0,25 ponto percentual dos juros americanos em setembro.
No Brasil, sai o IPCA, inflação oficial do país. A projeção é de queda de 0,29% em agosto e de alta acumulada de 4,27% em 12 meses. As Opções de Copom negociadas na B3 indicam cerca de 95% de chance de corte de 0,25 ponto percentual da Selic, hoje em 14% ao ano, o que levaria a taxa a 13,75%. O Boletim Focus divulgado nesta semana manteve a projeção para a Selic no fim de 2026 em 13,75%.
Para Pablo Spyer, economista e sócio da XP, a atenção não deve ficar restrita ao índice cheio do CPI. Segundo ele, uma surpresa para cima, especialmente com pressão em serviços, poderia elevar a probabilidade de alta de juros na próxima reunião do Fed. Rafael Perretti, economista e analista da Clear Corretora, afirma que o CPI pode confirmar ou alterar a precificação atual do mercado.
O efeito sobre a Bolsa brasileira passa pelas expectativas de juros, pelos Treasuries e pelo dólar. Um CPI acima do esperado tende a aumentar as apostas em política monetária mais restritiva, elevar os rendimentos dos títulos americanos e fortalecer o dólar, o que pode reduzir o fluxo para mercados emergentes. Um cenário mais benigno teria efeito contrário. No Brasil, um IPCA abaixo das expectativas pode reforçar a percepção de desinflação e ampliar o espaço esperado para cortes adiante; uma leitura mais pressionada reduziria esse espaço. Os especialistas avaliam que um único dado tem capacidade limitada de mudar a decisão já esperada para a reunião da próxima semana, mas pode influenciar as expectativas para os encontros seguintes.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação