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Como é o bairro humilde abalado pela violência visitado pelo papa Leão 14 na capital do Uruguai

Por Redação
Atualizado em 08/11/2026 às 09:05 schedule 3 min de leitura visibility 4 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Em Casavalle, bairro no norte de Montevidéu, o silêncio das ruas de terra ao meio-dia contrasta com os disparos que os moradores dizem ouvir à noite. "Há tiroteios praticamente todas as noites", relata Silvana de los Santos, 50 anos, moradora da região. Ela conta que a filha de 10 anos pergunta o que são os estrondos e que, em alguns momentos, pais precisam buscar os filhos às pressas nas escolas públicas por causa de conflitos entre gangues ou tiroteios.

A região, que reúne diversos microbairros de alta densidade populacional, apresenta maior desigualdade socioeconômica e índices de violência mais elevados do que outras partes da capital uruguaia, segundo vários estudos. No ano passado, a delegacia local registrou 39 homicídios, o equivalente a 44,1 casos por 100 mil habitantes — a maior taxa de Montevidéu no período, conforme dados oficiais. O índice é quase três vezes a média da cidade (16,5) e quase o dobro da taxa observada no Rio de Janeiro (22,7). A mesma delegacia teve o maior número de denúncias de violência doméstica da capital: 1.377.

Cerca de dois terços dos moradores apontam as drogas como um dos principais problemas e os confrontos entre grupos ligados ao narcotráfico como preocupação, segundo estudo da Universidade da República divulgado em junho, com base em pesquisa feita em Casavalle e bairros vizinhos. Especialistas atribuem boa parte das mortes a conflitos do microtráfico e a disputas territoriais. Moradores como Rodolfo Arévalo, 67 anos, relacionam os roubos frequentes às drogas e às disputas entre gangues de diferentes bairros.

Neste sábado (7/11), o papa Leão 14 visitou a paróquia de Nossa Senhora de Guadalupe, templo de 1987 de tijolos aparentes. Na entrada, foi montado um palco com uma cruz de madeira de cerca de 130 quilos confeccionada por adolescentes do Inisa, instituto uruguaio de detenção de menores infratores. Em seu discurso, o pontífice afirmou que não se pode passar indiferentes diante de crianças que não vão à escola por medo de não voltar e pediu que "a Igreja, a comunidade civil e o Estado" trabalhem juntos. "Precisamos despertar de nossas inércias e defender o bem comum", disse. Ao chegar, abençoou um conjunto de moradias sociais da Igreja em construção.

O padre Pablo Coimbra, líder da paróquia, afirma que o bairro tem "violência, pobreza, narcotráfico", mas também "gente humilde e trabalhadora que quer vencer na vida". Segundo ele, as obras sociais da Igreja incluem centros educacionais com bolsas de estudo, oficinas de capacitação profissional, distribuição de alimentos, promoção de esportes e assistência a idosos, além da construção e reforma de mais de 130 moradias nos últimos anos. O financiamento vem da própria Igreja, de fundações privadas e, em alguns casos, de convênios com o Estado. "Não é um Estado ausente", diz, "mas é, sim, um Estado ineficiente". Para a visita papal, o bairro recebeu centenas de policiais a pé, em motos, caminhonetes e veículos blindados.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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