Como Kim Jong-un fez uma 'transformação milagrosa' da economia da Coreia do Norte e se fortaleceu: 'O regime está mais rico do que nunca'
Aliança com a Rússia e cenário internacional turbinam economia da Coreia do Norte
A economia da Coreia do Norte vive um momento de alívio e expansão, impulsionada por uma combinação de fatores geopolíticos e pela aproximação estratégica com a Rússia. O regime de Kim Jong-un, historicamente isolado e sufocado por sanções internacionais, encontrou novas rotas de comércio e fontes de receita que reverteram um quadro de crise aguda. A avaliação de analistas é que o país está mais rico do que nunca, com o governo central fortalecido e menos dependente da ajuda externa que marcou décadas anteriores.
O ponto de inflexão foi a invasão da Ucrânia pela Rússia, que reposicionou Pyongyang no tabuleiro global. Com Moscou isolada do Ocidente, a Coreia do Norte emergiu como um parceiro vital, fornecendo munições e equipamento militar para o esforço de guerra russo. Em troca, o regime recebeu pagamentos em dinheiro, tecnologia e, crucialmente, petróleo e alimentos, que ajudaram a estabilizar a economia doméstica e a reduzir a pressão sobre a população. A relação, antes marginal, tornou-se um pilar da sobrevivência econômica norte-coreana.
Esse novo fluxo de recursos permitiu ao governo de Kim Jong-un retomar projetos de infraestrutura e programas sociais que haviam sido paralisados durante a pandemia. A fronteira com a China, fechada por anos, foi reaberta, retomando o comércio bilateral e o trânsito de trabalhadores. Especialistas apontam que a combinação de receita russa e comércio chinês criou uma rede de sustentação que torna as sanções da ONU, lideradas pelos Estados Unidos, cada vez menos eficazes na prática.
O fortalecimento econômico, no entanto, não veio acompanhado de abertura política. Pelo contrário, a nova riqueza consolidou o controle do regime, que investe pesadamente no programa nuclear e no aparato de segurança interna. A percepção entre observadores é que Kim Jong-un saiu da crise pandêmica mais forte, com um caixa que permite tanto a repressão quanto a distribuição seletiva de benefícios para garantir lealdade. O regime, na visão desses analistas, aprendeu a navegar a rivalidade entre as grandes potências para extrair vantagens concretas.
Os dados oficiais sobre a economia norte-coreana permanecem escassos e opacos, e não há informações públicas detalhadas sobre o volume exato dos acordos com a Rússia. O que se sabe, porém, é que a percepção de prosperidade relativa contrasta com o cenário de fome e colapso dos anos 1990. Ainda assim, a sustentabilidade desse modelo é incerta, dependente da continuidade do conflito na Ucrânia e da disposição de Moscou em manter o fluxo de recursos, o que mantém o país vulnerável a mudanças bruscas no cenário internacional.
As avaliações sobre a pujança econômica norte-coreana, no entanto, não são consenso entre especialistas. Dados públicos consolidados por órgãos como a ONU e institutos de pesquisa sul-coreanos indicam que o crescimento observado parte de uma base extremamente baixa, e que os salários médios e o consumo doméstico seguem muito aquém dos padrões regionais.
Relatórios de organizações de direitos humanos, que monitoram o país, destacam que o alívio econômico não se traduziu em melhoria generalizada das condições de vida. A população mais vulnerável, especialmente nas províncias rurais, continua a enfrentar insegurança alimentar crônica, enquanto os benefícios do novo fluxo de recursos se concentram na elite de Pyongyang e no aparato militar, aprofundando desigualdades que não aparecem nos números agregados.
Levantamentos de institutos como o Banco da Coreia do Sul, que compila estimativas a partir de dados de inteligência e comércio, sugerem que a economia norte-coreana voltou a crescer após anos de retração, mas partindo de um patamar muito baixo. Essas projeções, no entanto, não são confirmadas por estatísticas oficiais de Pyongyang, que não publica balanços econômicos detalhados desde a década de 1960.
Órgãos multilaterais também não detalharam o impacto exato dos acordos militares com Moscou, e os números de exportação de munições permanecem em estimativas de serviços de inteligência ocidentais, sem confirmação independente.
O uso de expressões como “transformação milagrosa” no título reflete mais o tom de comentaristas internacionais do que uma avaliação econômica formal, já que não há estatísticas oficiais que sustentem tal caracterização. A expressão “sufocado por sanções”, por sua vez, descreve o isolamento financeiro do país, mas especialistas ponderam que o regime historicamente contornou restrições por meio de redes informais de comércio, o que relativiza o peso do embargo no quadro atual.
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Por Suporte NewsPro