Como 'método Janones' está inspirando a esquerda fora do Brasil
A mobilização digital organizada pelo deputado federal André Janones durante a campanha que resultou na reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva passou a despertar interesse de setores da esquerda em outros países. O chamado "método Janones" virou referência para grupos que buscam enfrentar adversários nas redes sociais, com a criação de canais de WhatsApp e convites para que o parlamentar compartilhe sua experiência.
Na França, o responsável pela comunicação da França Insubmissa, partido de esquerda liderado por Jean-Luc Mélenchon, publicou lições de Janones para orientar a militância. Em artigo divulgado em 27 de outubro, o deputado Antoine Léaument associou explicitamente ao "janonismo" orientações para a campanha de Mélenchon, entre elas organizar um canal de WhatsApp, distribuir tarefas aos apoiadores e provocar adversários sem ampliar suas publicações. A recomendação inclui responder com capturas de tela em vez de compartilhar os posts originais e experimentar o bloqueio de contas da direita.
Na Argentina, apoiadores do peronismo criaram uma versão do Exército do Lula batizada de Ejército del Peronismo, canal de WhatsApp que busca organizar apoiadores para a eleição presidencial de 2027 e se apresenta como inspirado na iniciativa brasileira, convocando os participantes a receber suas "missões". Na Colômbia, o ex-presidente Gustavo Petro elogiou no X a articulação promovida por Janones entre ativistas no WhatsApp e a mobilização nas ruas. O brasileiro respondeu em espanhol e ofereceu colaboração: "Me coloco à disposição da Colômbia, de seu povo e da esquerda mundial".
Segundo o site Metrópoles, o deputado também recebeu um convite da presidente mexicana Claudia Sheinbaum para visitar o país e discutir ações conjuntas. O texto cita ainda um convite para que Janones ajudasse o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez. Na Espanha, a mobilização aparece em canais de WhatsApp de apoio a Sánchez — um deles reunia cerca de 41 mil seguidores na quinta-feira (29) —, e o canal Ejército de Sánchez também declarava inspiração no Exército do Lula.
No Brasil, o Exército do Lula chegou a cerca de 10,8 milhões de seguidores no WhatsApp durante a campanha. Janones usava o canal para distribuir tarefas como compartilhar vídeos, promover hashtags e convidar outras pessoas a participar. Para a cientista política Tathiana Chicarino, da FESPSP, essa atuação precisa estar ligada à mobilização presencial: "É importante articular sempre redes e ruas". Já o cientista político Leandro Consentino, do Insper, apontou vantagem na possibilidade de falar diretamente com o eleitor, mas alertou para o risco de deixar o debate sobre políticas públicas em segundo plano e de tornar a campanha "muito mais personalista".
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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