Como um escândalo financeiro ameaça derrubar Peña e redesenhar o poder no Paraguai
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, apresentou nesta quinta-feira (5) um pedido de renúncia, cuja análise foi interrompida no Congresso por falta de quórum. Ainda no cargo, ele enfrenta um processo de impeachment no Senado, aberto na noite de quinta e que deve continuar ao longo desta sexta-feira (6). Caso seja destituído, Peña deve ser sucedido pelo vice-presidente Pedro Alliana.
A crise começou após o Banco Central paraguaio intervir no Ueno Bank, um dos maiores bancos digitais do país. A medida, aprovada na segunda-feira (2) e anunciada na terça (3), suspendeu as operações da instituição, deixando correntistas sem acesso a salários e economias. O banco concentrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, dos quais aproximadamente US$ 380 milhões pertenciam ao Instituto de Previdência Social (IPS). A fiscalização constatou que o índice de solvência da instituição havia caído para menos da metade do mínimo exigido por lei.
O escândalo atingiu Peña por suas antigas relações com o Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank. O presidente manteve participação acionária em uma empresa vinculada ao conglomerado até março de 2025, quando afirmou ter vendido as ações. Ele nega irregularidades. O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, renunciou na terça a pedido de Peña. Para conter a crise, o Congresso aprovou lei que permite antecipar a devolução de recursos aos correntistas por meio do Fundo de Garantia de Depósitos.
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