Cristãos em saída, companheiros de viagem de quem está ferido e
As mensagens dirigidas pelo Papa Leão XIV à Igreja da França e de toda a Europa durante sua viagem apostólica são perpassadas por um fio condutor comum: a atitude mais adequada para os cristãos que vivem em sociedades secularizadas, nas quais muitas pessoas feridas buscam um sentido para suas vidas.
Na homilia das vésperas em Notre Dame, o Pontífice lembrou que a Igreja é chamada a estar sempre "em saída", para permanecer fiel ao Deus da Encarnação. Essa característica, segundo ele, deve impedir que a comunidade cristã se torne um enclave, uma fortaleza protegida da qual se retirar para se defender das contradições do tempo presente. Leão XIV alertou que essa tentação ressurge especialmente hoje, quando se teoriza que a única forma de sobreviver seria constituir pequenas comunidades de crentes convictos, separadas do mundo. Em vez disso, disse o Papa, a comunidade cristã se assemelha mais à antiga catedral e se torna espaço de acolhimento, respeito, anúncio e sentido oferecido a todos.
O Papa citou na homilia a exortação apostólica Evangelii gaudium, de seu predecessor Francisco, cujo eco transparece na afirmação de que "a pobreza de meios não impede a missão, pois é a graça de Deus que facilita a liberdade interior e a sobriedade de vida, de modo a refletir um estilo evangélico". A mensagem deixa claro que, para o testemunho evangélico, não são indispensáveis estruturas e meios poderosos, nem estratégias de marketing do neo-proselitismo.
No encontro com os membros da Assembleia Sinodal Provincial, os catecúmenos e os neófitos, Leão XIV explicou a importância de acolher e acompanhar aqueles que têm "trajetórias de vida mais complexas e menos lineares". É nesse ponto que o estilo da proximidade, da compaixão e da ternura assume todo o seu significado, propondo caminhos que respeitem os ritmos de cada pessoa, "avançando com gradualidade, atenção e em um acompanhamento fraterno". Trata-se de adotar o estilo de "caminhar juntos", sabendo fazer companhia e caminhar na noite com quem está em busca, sem se deixar engolir pela escuridão, com paciência e capacidade de esperar — como fez Santa Mônica com seu filho Agostinho, atitude descrita pelo cardeal Joseph Ratzinger em 1981 como o fato de deixá-lo livre, inclusive para errar.
Na homilia da missa na Place de la Concorde, diante de 800 mil pessoas, o Bispo de Roma pediu que os fiéis não guardem a fé em Jesus Cristo apenas para si mesmos, mas a deixem transbordar para saciar e preencher as pessoas que encontrarem, levando a esperança onde reinam o desânimo e a aridez espiritual. Naquela mesma homilia, o Papa usou um tom oposto a qualquer triunfalismo ou vingança, lembrando que a própria Igreja precisa de conversão e que, para curar as feridas profundas causadas pelas infidelidades e pelos "dolorosos desvios" cometidos em seu seio, os cristãos precisam se colocar humildemente sob o olhar de Deus, reconhecendo seus próprios erros.
Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentarSobre o autor
Por Redação