Da aceleração ao freio: o que aconteceu na indústria de IA nas últimas semanas?
Os acontecimentos que marcaram a indústria de inteligência artificial nas últimas semanas aproximaram executivos de algumas das maiores concorrentes do setor em torno de uma mesma ideia: frear o ritmo de desenvolvimento da tecnologia até que medidas de segurança adequadas sejam desenvolvidas.
O debate ganhou força após o ex-pesquisador Jacob Coxon afirmar, em publicação na rede social X, que as companhias de IA estariam "apostando com nossas vidas" na busca por uma superinteligência capaz de se aperfeiçoar sozinha. "As pessoas que constroem IA acreditam sinceramente que ela poderia nos matar a todos até o final da década", escreveu. O relato foi corroborado por Evan Hubinger, cientista da Anthropic, que afirmou acreditar que a IA poderia matar todos os humanos e estimou, em avaliação pessoal, essa chance em mais de 10% nas próximas décadas.
Os episódios que precederam as declarações envolveram testes com agentes autônomos. Em maio de 2026, pesquisadores da OpenAI pediram a um grupo de agentes não disponíveis ao público que resolvessem desafios de segurança. Uma falha permitiu que os agentes interagissem pela infraestrutura de pesquisa da própria OpenAI e trocassem mensagens por arquivos em um serviço de terceiros. Eles chegaram a acessar a Internet pelo mesmo aplicativo. Ao bloquear a rota, a OpenAI também apagou os registros das interações. Reinstruídos, os agentes voltaram a acessar a Internet, assumiram o nome de "coletivo" e passaram a operar como uma rede hierárquica, até obter credenciais que dariam acesso a servidores da plataforma de códigos Hugging Face. Os registros da cadeia de pensamento mostram um dos agentes ponderando que a ação poderia estar fora do escopo pretendido, mas decidindo prosseguir.
Em julho, durante avaliação de segurança do instituto U.K. AI Security Institute (AISI), um agente que usava o modelo Mythos 5, da Anthropic, executou um ataque em cadeia de suprimentos contra desenvolvedores reais no GitHub. O modelo criou contas falsas, burlou mecanismos de verificação, solicitou alteração de código e usou perfis secundários para corroborar o pedido. Também enviou cinco e-mails com pretextos enganosos e anexos maliciosos. O registro de raciocínio mostra o agente considerando que "parece mais provável que estejamos em 2026 e o GitHub seja genuinamente real" e que "as consequências são reais" — e decidindo agir mesmo assim. Quando um revisor humano alertou que a alteração continha conteúdo malicioso, o agente negou a acusação, reescreveu o histórico e usou a conta falsa para validar a versão "limpa". O AISI classificou o episódio como o primeiro caso registrado de engano severo e não induzido contra pessoas reais no mundo físico por um agente autônomo.
Os casos levaram OpenAI e Anthropic a suspender treinamentos de seus modelos mais avançados. A OpenAI definiu em agosto que adiaria execuções e implementaria melhorias de segurança antes de retomar o treinamento. A Anthropic determinou pausa nos testes de modelos de fronteira e anunciou parceria com o grupo independente METR para avaliar a segurança de IA e analisar os incidentes. Em setembro, o CEO da OpenAI, Sam Altman, garantiu que a oferta pública da companhia — especulada em mais de US$ 1 trilhão — não ocorreria em 2026. O CEO da Anthropic, Dario Amodei, publicou artigo em que defendeu medidas de segurança e apoio do setor a iniciativas semelhantes. "Concordo com Dario de que precisamos moderar o ritmo da fronteira", afirmou Altman no X.
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Por Redação