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Demanda nos EUA por remédios da Novo leva Dinamarca a dobrar projeção de crescimento

Atualizado em 24/09/2026 às 08:35 schedule 4 min de leitura visibility 1 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Os medicamentos para perda de peso estão remodelando o cenário econômico sob diversos ângulos. Além de alterarem os setores de saúde, varejo e lazer, empregadores — incluindo o Bank of America — passaram a oferecer acesso a esses remédios como parte de seus benefícios de saúde. O impacto da classe GLP-1 se tornou tão amplo que já influencia as projeções para toda a economia da Dinamarca, país que abriga a farmacêutica Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e do Wegovy.

Em relatório especial, o Danmarks Nationalbank, banco central dinamarquês, destacou que a indústria farmacêutica do país registrou crescimento "extraordinário" no primeiro semestre de 2026, com parcela cada vez maior da produção ocorrendo no exterior sob propriedade de empresas dinamarquesas. Segundo o documento, o avanço se deve principalmente às vendas e à produção da Novo no mercado americano no início deste ano, refletindo o acordo da empresa com o governo dos Estados Unidos, que ampliou o acesso a uma base maior de pacientes por meio de programas públicos de seguro-saúde.

A Novo é mais conhecida por seus medicamentos para obesidade e diabetes, mas também desenvolve tratamentos para hemofilia e terapias de reposição hormonal. O relatório esclarece, no entanto, que o acordo com o governo americano é focado nos medicamentos para perda de peso e diabetes. A Casa Branca anunciou no ano passado que havia garantido da Novo uma política de preços baseada no modelo de "nação mais favorecida avançada", o que significa preços mais baixos para pacientes do Medicare e clientes do programa TrumpRx. Um mês depois, a FDA aprovou a versão em comprimido do Wegovy, a primeira desse tipo a receber autorização da agência reguladora.

A dimensão do crescimento permitiu ao banco central revisar suas estimativas para toda a economia dinamarquesa. Em março, a instituição projetava crescimento de 1,8% em 2026 e 2027 e de 2% em 2028 — o setor farmacêutico não era mencionado naquela atualização. Na revisão divulgada nesta semana, o Danmarks Nationalbank passou a projetar crescimento de 4% neste ano, 2,3% em 2027 e 2% em 2028. O relatório atribui a revisão para cima de 2,2 pontos percentuais a dois fatores já ocorridos: o crescimento mais forte que o esperado no primeiro semestre de 2026, tanto da indústria farmacêutica quanto da economia como um todo, e as revisões das estimativas do PIB, que fornecem base mais sólida para o crescimento neste ano. Entre os riscos citados estão o aumento das expectativas de inflação e as incertezas ligadas ao conflito no Oriente Médio e aos preços elevados do petróleo.

O presidente do banco central, Christian Kettel Thomsen, afirmou que a economia dinamarquesa tem resistido às turbulências globais e que se espera forte crescimento do PIB neste ano, sem sinais de pressões adicionais sobre salários ou preços. Isso ocorre, segundo ele, porque grande parte do crescimento vem da produção realizada no exterior, que utiliza mão de obra e capital dinamarqueses apenas de forma limitada. O relatório acrescenta que, ao garantir acesso a milhões de consumidores americanos por meio do governo dos EUA, a redução negociada dos preços deverá prejudicar os termos de troca da economia nos próximos anos. As exportações reais de bens aumentaram ao mesmo tempo em que os preços dos produtos exportados pelas empresas dinamarquesas caíram — queda que, desde o início do ano, decorre em grande parte do acordo da Novo com o governo americano, que incluiu redução de até 30% no preço de venda de determinados medicamentos para perda de peso e diabetes. Em contrapartida, os preços do restante das exportações de bens permaneceram mais estáveis no começo do ano.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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