'Desafio de Flávio é ser presidente de direita normal', avalia economista Samuel Pessôa
O economista Samuel Pessôa, doutor pela USP e pesquisador associado do FGV Ibre e do BTG Pactual, afirmou que o principal desafio de um eventual governo de Flávio Bolsonaro é ser "um presidente de direita normal". Em entrevista à BBC News Brasil, ele definiu esse modelo como a gestão do presidencialismo de coalizão "segundo o livro-texto da Ciência Política", com um programa comum de governo e poder repartido entre os partidos aliados.
Segundo Pessôa, Flávio teria "condições privilegiadas" para isso por pertencer ao mesmo campo político da média do Congresso Nacional. Sem a dissonância ideológica entre o Palácio do Planalto e as casas legislativas, haveria mais espaço para cooperação e negociação de um programa comum entre o Executivo e os partidos. O economista citou como exemplo o que fizeram Michel Temer e Fernando Henrique Cardoso.
As incógnitas apontadas por ele são duas: se Flávio fará essa gestão e quanto do capital político da "lua de mel" gastará na agenda de libertar o pai. Pessôa observou que, se eleito, Flávio poderia indultar o pai, decisão que seria avaliada pelo Supremo Tribunal Federal, com chance grande de a Corte entender que o indulto presidencial não se aplica a esse tipo de caso. A dúvida é se, diante dessa resposta, ele viraria a página e governaria o país ou entraria numa briga entre Executivo, Legislativo e Supremo para libertar o pai, gastando nisso todo o capital político.
Na avaliação do economista, o mercado vê "com bons olhos" uma vitória de Flávio porque considera que um governo dele tem condições e vontade de promover um ajuste mais rápido nas contas públicas, o que está por trás dos juros "extremamente elevados". Sobre os nomes citados por Flávio para a área econômica, Pessôa disse que são pessoas com ótimos currículos, mas afirmou que o que mais o preocupa é a construção política.
Em relação a Lula, Pessôa comparou a situação à de Dilma em 2014-15, com uma economia claramente à plena carga. Segundo ele, houve muito impulso fiscal neste ano, como em 2014, e esse impulso não está gerando grande crescimento porque a economia já está a plena carga. O economista afirmou ainda que, se Lula ganhar, "as coisas pioram no mercado", e que a reação levaria o presidente, "um homem pragmático", a desenhar um programa de ajuste fiscal, ainda que moderado.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Palavras-Chave
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentarSobre o autor
Por Redação