Dino e Fachin tomam decisões que desviam atenção de suspeitas contra Moraes
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou de forma individual a decisão do ministro André Mendonça que determinava o afastamento da cúpula da Polícia Federal. Em seguida, o presidente da Corte, Edson Fachin, interveio e suspendeu formalmente as duas ordens, mas manteve os diretores da PF nos cargos. Segundo o material apurado, o movimento deslocou o foco do debate público das mensagens comprometedoras de Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro para a conduta processual de Mendonça.
O caso central envolve mensagens de Vorcaro, preso por fraudes, que buscava intercessão de Moraes junto a órgãos de investigação, como a Polícia Federal e o Ministério Público. O empresário chegou a enviar listas de policiais envolvidos em apurações e perguntou ao ministro se deveria fugir antes de ser preso. Também surgiram provas de que Moraes editou pessoalmente um contrato de R$ 131,2 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, o que confirmaria uma relação direta e extraoficial com o grupo econômico investigado pela própria Justiça.
O inquérito das fake news, relatado por Moraes há mais de sete anos sem sorteio, passou para o comando de Fachin. A transferência veio acompanhada da suspensão de qualquer procedimento de investigação contra ministros do STF. Especialistas citados na apuração classificam o movimento como uma falsa equivalência: Fachin tratou as críticas processuais contra Mendonça no caso Master com a mesma gravidade dos abusos acumulados no inquérito das fake news, como censura a sites e prisões sem individualização de conduta, unificando tudo sob sua gestão para conter a crise interna.
Além do caso Vorcaro, Moraes enfrenta críticas por métodos informais revelados em 2024, quando seus auxiliares solicitavam relatórios ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) via WhatsApp para fundamentar decisões. Outras ações polêmicas incluem a suspensão completa da rede social X no Brasil e a manutenção da prisão de 942 pessoas pelos atos de 8 de janeiro sem especificar o crime de cada uma. Recentemente, ganhou destaque o caso de Filipe Martins, ex-assessor da presidência, mantido preso por seis meses com base em um registro de entrada nos Estados Unidos que autoridades americanas atestaram ser um documento falso.
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Por Redação