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Do “Flávio Day” à cautela pré-segundo turno: o que moveu o mercado desde 5 de outubro

Por Redação
Atualizado em 23/10/2026 às 07:20 schedule 4 min de leitura visibility 4 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O primeiro pregão após o primeiro turno, em 5 de outubro, foi marcado por uma das mais fortes reprecificações dos ativos brasileiros dos últimos anos. A liderança de Flávio Bolsonaro (PL) na votação desencadeou um rali em Bolsa, câmbio e juros, sustentado pela expectativa de uma política econômica mais favorável ao mercado e de maior compromisso com o ajuste fiscal.

O Ibovespa disparou 7,7% no dia seguinte à votação, maior alta diária desde março de 2020, e ultrapassou pela primeira vez os 200 mil pontos. O dólar caiu mais de 4% frente ao real, enquanto a curva de juros futuros registrou forte fechamento. Bancos, varejistas, construtoras e empresas ligadas ao mercado de capitais lideraram os ganhos. Entre os destaques, B3 (B3SA3), XP (XPBR31) e BTG Pactual (BPAC11) avançaram mais de 20%, e Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3) subiram mais de 10%. A leitura do mercado era de que uma eventual mudança no comando do país poderia reduzir o prêmio de risco embutido nos ativos e ampliar as chances de consolidação fiscal.

Setores mais dependentes do ciclo doméstico foram os principais beneficiários da queda dos juros futuros. Magazine Luiza (MGLU3), C&A (CEAB3), Lojas Renner (LREN3), Cyrela (CYRE3) e MRV (MRVE3), entre outras empresas sensíveis ao custo de capital, figuraram entre as maiores altas da Bolsa desde o primeiro turno.

Juros como motor do rali

Apesar do peso da narrativa eleitoral, bancos e estrategistas apontam que o principal combustível da alta foi o fechamento das taxas de juros de longo prazo. Segundo o Goldman Sachs, cerca de 85% da valorização do Ibovespa após o primeiro turno pode ser explicada pela queda dos juros longos. O banco lembra que as ações mais sensíveis aos juros subiram entre 15% e 25% logo após a votação e vê paralelos com o comportamento observado após a eleição de 2018. O Goldman mantém projeção-base de 215 mil pontos para o Ibovespa, mas avalia que o índice poderia chegar a 225 mil pontos caso o próximo governo entregue maior disciplina fiscal e provoque nova rodada de fechamento dos juros reais.

O UBS Wealth Management segue linha semelhante, elevou sua exposição a ações brasileiras e passou a projetar potencial adicional de cerca de 25% para a Bolsa. A instituição argumenta que a reprecificação iniciada após o primeiro turno ainda não capturou integralmente um eventual cenário de melhora fiscal e de redução estrutural do prêmio de risco Brasil. Para o UBS, financeiro, construção civil, utilities e small caps seguem entre os principais beneficiários potenciais da combinação de juros menores e melhora da percepção de risco.

Da euforia à cautela

Se os dias imediatamente posteriores ao primeiro turno foram de forte otimismo, a semana seguinte trouxe acomodação. Com pesquisas mostrando disputa mais apertada entre Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), investidores passaram a realizar parte dos ganhos e a reduzir posições mais agressivas. O Ibovespa devolveu uma pequena parcela da alta, e o dólar voltou a subir em alguns pregões. A mudança refletiu a percepção de que o mercado já havia incorporado boa parte do cenário mais favorável e passou a exigir sinais concretos sobre equipe econômica, propostas fiscais e capacidade de implementação de reformas.

Mesmo assim, a leitura predominante entre grandes bancos segue construtiva, e a continuidade do movimento dependerá da credibilidade fiscal do próximo governo. Antes do segundo turno, o foco dos investidores está concentrado em três fatores: as pesquisas eleitorais, principal fonte de volatilidade para ações, câmbio e juros; a definição da equipe econômica e das propostas fiscais a serem apresentadas após a votação; e a temporada de resultados corporativos, iniciada nesta semana, que servirá para medir quais empresas conseguem sustentar o otimismo que impulsionou os preços das ações.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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