Dólar hoje sobe a R$ 5,48, com pressão externa e de olho em política econômica
O dólar à vista encerrou a quinta-feira com alta de 0,67%, cotado a R$ 5,4876, após uma sessão marcada pela maior aversão ao risco nos mercados globais e pela cautela dos investidores locais em relação aos rumos da política econômica no novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na véspera, a moeda norte-americana havia recuado 0,64%, fechando a R$ 5,4511.
No mercado futuro, o contrato para dezembro subia 0,58% na B3, a R$ 5,5180, por volta das 17h05. O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas, avançava 0,09%, a 101,560, em linha com a leve alta observada no exterior, um dia após a forte queda impulsionada pelo resultado das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.
No cenário doméstico, o Banco Central manteve a Selic inalterada em 13,75% na noite de quarta-feira, em sua primeira decisão de política monetária após a reeleição de Lula. A decisão, tomada de forma unânime pela diretoria da autarquia, interrompeu uma sequência de cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual. O BC citou ampliação das incertezas e um cenário desafiador para a política monetária, prevendo inflação mais alta nos próximos anos, e afirmou que seguirá acompanhando a evolução do cenário "para manter a restrição adequada", com o objetivo de assegurar a convergência da inflação à meta.
Analistas da XP avaliam que o Comitê sugere que uma interrupção no ciclo de calibração de juros é necessária para conter as pressões inflacionárias, mas que, ao mesmo tempo, não há necessidade de uma postura monetária ainda mais contracionista neste momento. A instituição projeta que a Selic permanecerá em 13,75% até o final do próximo ano, "em que pese a elevada incerteza global e local".
Também pesaram sobre o mercado os dados de atividade. A produção industrial brasileira caiu 0,8% em setembro na comparação com o mês anterior, resultado mais fraco para meses de setembro desde 2022 e abaixo da expectativa de retração de 0,2% apontada em pesquisa da Reuters com analistas. Os agentes ainda monitoram as sinalizações sobre a condução econômica no novo governo, incluindo a expectativa de um pronunciamento televisionado de Lula no domingo para reafirmar seu compromisso com a disciplina orçamentária.
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