Eleições 2026: confira 6 dicas para ajudar a escolher seus candidatos
A menos de duas semanas do primeiro turno das Eleições de 2026, muitos eleitores ainda não definiram em quem vão votar. Neste ano, a escolha entre tantos candidatos ganhou um complicador: as notícias relacionadas ao caso Master e à crise do Supremo Tribunal Federal (STF) reduziram o debate das propostas. Diante desse cenário, especialistas ouvidos pela Agência Brasil indicaram caminhos para ajudar o eleitor a escolher com mais critério, buscando candidatos alinhados a seus interesses e visões de mundo e evitando armadilhas como os “puxadores de voto” e as propostas genéricas.
O primeiro passo, segundo os especialistas, é o eleitor olhar para si mesmo e para sua coletividade. Perguntas como “a qual grupo social e econômico eu pertenço?”, “com quais ideologias e visões de mundo eu me identifico?” e “quais problemas eu espero que o Poder Público priorize?” ajudam nessa reflexão. Em política, nem sempre os interesses convergem: um empresário, um trabalhador assalariado e um profissional autônomo não avaliam do mesmo jeito uma proposta como o fim da escala 6x1. “Por isso é fundamental o eleitor saber quais são seus interesses políticos e econômicos”, diz o professor de Ciência Política da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, João Feres Júnior.
Outro ponto essencial é compreender as atribuições de cada cargo. Um candidato a deputado que promete construir um hospital ou pavimentar ruas, por exemplo, está fazendo uma promessa que não cabe ao Legislativo executar — obras são atribuição do Poder Executivo, ou seja, presidente, governadores e prefeitos. “Parte das pessoas tem pouca informação sobre as competências dos legisladores”, afirma a socióloga Débora Messemberg, professora da Universidade de Brasília (UnB). Segundo ela, senadores e deputados têm poder para indicar a destinação de verbas públicas, mas não executam as políticas.
Avaliar o currículo, o histórico e as propostas do candidato também é apontado como caminho. Quem o financia ou o apoia? Quais partidos compõem sua coligação e de que setores vêm seus principais apoios? As propostas atacam a raiz dos problemas ou são discursos genéricos? Para o professor de Ciência Política da Universidade Federal do Ceará, Francisco Uribam Xavier de Holanda, analisar o conteúdo de campanha exige tempo, algo de que a maioria dos eleitores não dispõe, mas é fundamental. Propostas de governo, declaração de bens e prestação de contas com a relação de doadores podem ser consultadas no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Por fim, os especialistas destacam o alinhamento partidário. No sistema político brasileiro, ninguém atua de forma isolada, e é de se esperar que os filiados demonstrem disciplina partidária. “Cada partido tem seu programa, sua posição política e compõe uma bancada”, afirma a cientista política Naiara Sandi de Almeida Alcantara, professora da Universidade Federal do Pará (UFPA).
Esta matéria foi publicada primeiro em Política · Agência Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação