Eleições nos EUA ganham novo campo de batalha: os data centers
Os data centers se tornaram um inesperado campo de batalha nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, com candidatos democratas e republicanos explorando a insatisfação popular com o avanço dessas instalações. Em distritos decisivos para a Câmara, no Senado e em disputas estaduais, o tema ganhou força com uma rapidez incomum, segundo estrategistas dos dois partidos.
Os democratas lideram os ataques, responsabilizando os republicanos pelo apoio a projetos do setor em meio ao aumento das tarifas de energia e ao consumo de água. Nas últimas semanas, porém, um número crescente de republicanos também passou a adotar um tom crítico, apesar do apoio do presidente Donald Trump à indústria de inteligência artificial. Alguns passaram a usar a expressão “data center” de forma pejorativa e a se apresentar como opositores aos incentivos fiscais para a construção dessas instalações.
Na semana passada, Mike Rogers, candidato republicano ao Senado em Michigan, defendeu uma moratória de um ano para novos projetos. Em Ohio, um memorando do Comitê Nacional Republicano para o Senado alertou que o tema estaria prejudicando a campanha do senador Jon Husted, alvo de anúncios do ex-senador democrata Sherrod Brown, que o retratam como “o rosto dos data centers em Ohio”. O documento, divulgado pelo Axios, equivaleria a um apelo para que a indústria financiasse uma campanha publicitária em defesa do setor.
No Texas, a candidata ao governo estadual Gina Hinojosa lançou uma propaganda em que um chatbot é questionado sobre a alta da conta de luz, atribuindo a culpa ao governador Greg Abbott e aos data centers. Mesmo antes da campanha, Abbott já vinha mudando de postura: após comemorar um investimento de US$ 40 bilhões do Google, anunciou novas exigências para o consumo de água e energia, defendeu o fim de alguns incentivos fiscais e determinou auditorias prévias para novos projetos. Em Michigan, o ativista progressista William Lawrence, que venceu a prévia democrata para a Câmara com plataforma contrária aos data centers, afirma que a oposição às instalações une eleitores de diferentes perfis políticos.
Pesquisadores dos dois partidos afirmam que os eleitores associam os data centers ao aumento das contas de energia, ao consumo de água, à ocupação de áreas agrícolas e às preocupações com a expansão da inteligência artificial. Para o investidor Chamath Palihapitiya, a indústria “fracassou miseravelmente no básico” ao explicar seu valor para a sociedade. O tema, segundo estrategistas, embaralha as divisões partidárias tradicionais e oferece aos democratas uma rara oportunidade de avançar em áreas rurais e pequenas cidades.
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Por Redação