Eleitores americanos retiram maioria republicana do Congresso em resposta a Trump
O Partido Democrata retomou o controle da Câmara e do Senado nas eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira (3), impondo a Donald Trump um Legislativo hostil menos de dois anos após seu retorno à Casa Branca. O resultado reflete forte insatisfação popular com o custo de vida elevado e com os impactos econômicos da guerra contra o Irã.
A economia foi o fator decisivo para a virada democrata. Quase metade dos eleitores apontou o custo de vida como o item de maior peso na hora de votar, e 49% das famílias afirmaram que sua situação financeira piorou desde o início do segundo mandato de Trump. O conflito com o Irã elevou os preços dos combustíveis e da energia, atingindo diretamente o orçamento doméstico. Pesquisas indicam que a maioria da população não viu justificativa para os altos custos da operação militar, e o governo acabou punido nas urnas.
Grupos que foram essenciais para a vitória de Trump em 2024 voltaram a apoiar os democratas. Cerca de 70% dos eleitores com menos de 30 anos votaram na oposição, abandonando o equilíbrio observado na eleição presidencial anterior. Entre os latinos, o apoio aos democratas subiu para 60%, motivado pela insatisfação econômica e por operações de imigração do ICE que afetaram comunidades tradicionais. O afastamento mostra que a coalizão conservadora perdeu força em redutos importantes e entre eleitores moderados, que passaram a buscar maior equilíbrio institucional.
Com o Congresso sob controle democrata, Trump perde a liberdade de governar apenas com aliados e passa a depender de negociações constantes com a oposição para aprovar leis e liberar recursos do orçamento. O presidente mantém o poder de veto e o controle da política externa, mas os democratas agora comandam comissões importantes e podem abrir investigações. A oposição já sinalizou que pretende apurar a família Trump, a atuação da Segurança Interna e a gestão de arquivos polêmicos. O governo terá de escolher entre ceder em alguns pontos ou enfrentar paralisia legislativa.
A derrota nas midterms também antecipa as disputas internas no Partido Republicano e coloca em dúvida a continuidade absoluta do movimento MAGA. Com o desgaste de Trump exposto, cresce o espaço para nomes como o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio, que precisarão equilibrar a lealdade ao presidente com a necessidade de atrair o eleitorado moderado. Analistas avaliam que o resultado representou uma rejeição à forma como Trump governou nesses dois anos, e não necessariamente às suas ideias, o que deve forçar o partido a planejar o futuro sem depender apenas da figura dele.
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