Eles se uniram para denunciar abusos em uma escola — e depois se casaram
Dois ex-alunos de um internato islâmico na ilha indonésia de Lombok se uniram para reunir provas contra o diretor da escola, acusado de agressão sexual, e acabaram se casando depois de anos de investigação e pressão. A história foi relatada pela BBC Eye Investigations.
Yusron Azzahidi começou a apurar as denúncias após uma revelação de sua ex-colega de classe Ziadatur Rahmah, conhecida como Zia. Certa noite, ela contou a ele que o diretor Ahmad Imanuddin Sumar, chamado pelos alunos de "Abah" ("pai"), a agrediu sexualmente quando ela tinha 16 anos. Segundo o relato de Zia, ele a interceptou nos jardins da escola e a levou até sua casa, onde a beijou e tocou seu corpo. Ela conseguiu fugir quando uma das crianças dele bateu na porta.
Yusron sugeriu então que Zia, junto com as amigas Wanda Hamidah e Mahima Eka, reunissem provas corroborativas. À medida que conversavam com antigos colegas, outras lembranças surgiram. Uma delas veio de Sukma Rohana, que ainda estudava na escola. Ela contou à BBC que, aos 17 anos, Abah a chamou para orações de Ano-Novo, cobriu sua boca e tentou estuprá-la. Ela disse ter conseguido chutá-lo no estômago e fugir.
Yusron coordenou as evidências, digitou um documento de sete páginas descrevendo os supostos abusos de Sukma, Zia e outros quatro ex-alunos, e Wanda organizou uma reunião com representantes da Nahdlatul Wathan Diniyah Islamiyah (NWDI), organização que administrava a escola. Segundo os amigos, os representantes prometeram ajudar a levar o caso à polícia. Três semanas depois, porém, Abah ligou para Yusron da casa de sua família, pedindo que ele encobrisse o caso. Yusron gravou a conversa. Abah também ligou para Zia e admitiu o abuso, implorando que ela permanecesse em silêncio — ela também gravou.
Sukma relatou ter sido chamada à casa de Abah, onde encontrou dois policiais e um advogado da NWDI, que a forçaram a assinar um documento dizendo que suas alegações eram mentiras. O relato é respaldado por uma gravação que ela fez ao confrontar a esposa de Abah, Hurmiati, que teria pedido que ela respeitasse o "acordo". A pressão chegou ao ponto de Abah pedir aos pais de Yusron que viajassem a Jacarta para procurá-lo. Diante do estresse da mãe, Yusron interrompeu a investigação. Oito meses depois, inspirado por um grupo de conscientização sobre abuso em escolas islâmicas, ele e Zia retomaram a apuração. Uma publicação de Zia no Instagram fez surgir uma nova denunciante, que afirmou ter sido abusada por Abah quase um ano depois das promessas que ele fez ao casal. Os pais de Yusron finalmente concordaram em apoiá-lo.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação