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Em 13 anos, doença inflamatória intestinal cresce 5 vezes no Brasil

Atualizado em 25/09/2026 às 20:35 schedule 3 min de leitura visibility 0 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O número de pessoas com doenças inflamatórias intestinais (DII) no Brasil cresceu cinco vezes entre 2012 e 2025. A incidência dessas enfermidades — como a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa — passou de 30 para 158 casos por 100 mil habitantes no período. Os dados são de um estudo apresentado no 74º Congresso Brasileiro de Coloproctologia, que ocorre até este sábado (26), em Balneário Camboriú (SC).

O levantamento foi feito por dois membros da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP): Abel Quaresma, da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc), e Paulo Kotze, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Eles trabalharam em parceria com pesquisadores das universidades de Calgary (Canadá), de São Paulo (USP) e estadual de Campinas (Unicamp), entre outras. Com base em registros do Sistema Único de Saúde (SUS), os pesquisadores constataram ainda que o número de novos casos diagnosticados por ano aumentou de 9,35 para 12,34 no mesmo período.

As doenças inflamatórias intestinais são enfermidades autoimunes, ou seja, aparecem quando o sistema imunológico passa a atacar as próprias células e tecidos da pessoa, gerando um processo crônico de inflamação. Segundo Abel Quaresma, tanto a doença de Crohn quanto a retocolite ulcerativa são multifatoriais, o que significa que não há apenas uma causa, mas várias. Pesquisas anteriores identificaram um fator genético associado, mas nem todos os pacientes apresentam as variações genéticas ligadas ao desenvolvimento das DII. Por isso, o fator ambiental também tem relação com o surgimento desses males.

“A gente não sabe o fator causal ainda. A gente sabe que são doenças multifatoriais. Tem a genética, a poluição, os hábitos alimentares. Nossa dieta mudou muito nos últimos anos”, afirma o pesquisador, destacando que alimentos ultraprocessados contêm inúmeros aditivos que podem contribuir para essas doenças inflamatórias. De acordo com ele, conservantes, corantes e espessantes — substâncias que deixam o alimento mais barato, dão maior volume, cor, cheiro e conservam — induzem essas doenças.

A expectativa dos pesquisadores é que o surgimento de novos casos chegue a 22,7 por 100 mil habitantes em 2035. Caso isso se confirme, a previsão é que a quantidade de pessoas com essas doenças alcance 264 por 100 mil habitantes em 2035, ou seja, 67% a mais do que o observado em 2025. “São doenças que até por volta de 2015 eram consideradas doenças raras. E que estão tendo um boom em todo o mundo, inclusive no Brasil. A gente projeta que, a partir de 2040, vai se tornar problema de saúde pública, como é a pressão alta, o diabetes”, diz Quaresma. O especialista explica que essas doenças não têm cura e que o tratamento visa controlar o processo inflamatório e os sintomas. O custo dos medicamentos chega a R$ 500 mil por ano por paciente. “São pacientes que, muitas vezes, são diagnosticados ainda jovens e que precisarão de acompanhamento por décadas.”

Esta matéria foi publicada primeiro em Saúde · Agência Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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