'Estava prestes a me casar com um violento estuprador em série, mas meus entes queridos salvaram minha vida'
Amy (nome fictício) afirmou à BBC que, sem a intervenção de familiares e amigos, teria se casado com o homem que a abusou física e psicologicamente durante boa parte do relacionamento. Ela teme que, se o casamento tivesse ocorrido, teria sido morta pelo marido. Christopher Malcolm, descrito como estuprador em série, foi preso recentemente por seus crimes e infligiu lesões graves à ex-noiva.
Segundo o relato, em uma das ocasiões Malcolm disse que deixaria o rosto dela "coberto de hematomas" pouco antes de ela visitar o pai, que tinha doença terminal, no Dia dos Pais. Amy contou que muitas vezes permanecia no relacionamento como forma de acalmar a violência e sobreviver, e que, enquanto Malcolm estava em liberdade, não se sentia segura para denunciá-lo à polícia.
Os entes queridos de Amy passaram a demonstrar preocupação crescente e levaram várias vezes ao sistema de denúncias de violência doméstica da polícia escocesa relatos sobre o bem-estar dela, encaminhando evidências como mensagens de texto e fotos de seus ferimentos. Sem o conhecimento de Amy, quatro pessoas denunciaram separadamente seus temores. Esses relatos ajudaram os policiais a formar um conjunto de evidências que levou Malcolm à custódia em setembro de 2024. Pouco depois, Amy denunciou por completo os estupros, abusos e agressões que havia sofrido. O casamento estava marcado para quatro semanas depois.
Amy conheceu Malcolm pelo aplicativo Tinder no fim de agosto de 2023. O relacionamento avançou rapidamente: na primeira semana ela conheceu os pais dele, passaram a morar juntos em questão de meses e ficaram noivos no Natal. Ela relata que ele passou a controlar sua vida, insistindo para que apagasse as redes sociais, escondendo ou retirando seu celular e aparecendo no trabalho dela para exigir que saísse mais cedo. A violência, inicialmente ocasional, tornou-se mais frequente. Ela descreveu um episódio em que Malcolm ficou em "modo de ataque" por três dias, rasgou o sofá com uma faca e ameaçou cometer suicídio, além de ocasiões em que se sentava sobre o peito dela e a estrangulava. Em um ataque, fraturou o pulso dela e a impediu de ir ao hospital; ela afirma que não consegue mais segurar livros com apenas uma das mãos. Amy também relata ter sido estuprada mais de uma vez, incluindo uma ocasião em que havia uma criança na residência.
Um dos fatores que, segundo Amy, evitaram seu isolamento total foi a forma como amigos e familiares trataram o assunto, de maneira direta mas não enérgica, deixando claro que a amavam e queriam sua segurança. Sua irmã escreveu uma carta explicando por que não poderia comparecer ao casamento, citando "pesadelos terríveis" e o receio de nunca mais vê-la. A polícia escocesa afirmou que, em casos nos quais a vítima reluta em denunciar, os agentes buscam evidências que não dependam do sobrevivente, como câmeras corporais, análises de telefones, fotografias de lesões, evidências médicas e históricos de incidentes anteriores. Agora com 30 anos, Amy procurou a BBC para contar sua história e diz acreditar que sua família, seus amigos e os policiais envolvidos salvaram sua vida.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação