'Fiz um teste para saber se minha vida seria curta — e isso me transformou'
Laura Sides tinha pouco mais de 20 anos quando soube, durante uma consulta médica do pai, que ele sofria de uma forma rara de demência de início precoce — a chamada "variante de Londres", associada ao Alzheimer. O diagnóstico veio quando o pai tinha pouco mais de 40 anos, e ela descobriu que havia 50% de chance de herdar a mesma condição. "Só conseguia pensar que era como fazer cara ou coroa", contou ela à BBC Radio 4.
Ela abandonou a universidade para cuidar do pai, que morreu em 2009, um ano depois da mãe. Anos mais tarde, já morando em Melbourne, na Austrália, procurou um especialista. O médico explicou que um teste genético poderia determinar com quase certeza se ela havia herdado a condição, e que os primeiros sinais surgiriam entre os 46 e os 48 anos. Após seis meses de aconselhamento genético e seis semanas de espera, veio o resultado: ela havia herdado o gene. "Fiquei com raiva. Achei tudo muito injusto", relembrou.
Hoje com 43 anos, Sides participou de estudos clínicos em vários países e diz não perder o sono pensando no que virá. Ela afirma que conhecer alguém e iniciar um relacionamento é difícil por causa da dúvida sobre quando contar, mas descobriu que "posso ser amada apesar de tudo isso". Sobre a maternidade, que sempre imaginou para si, concluiu que "não seria justo". A vida agora, segundo ela, é aproveitar as pequenas coisas ao lado de quem ama.
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