Flávio Bolsonaro na Globo: o que disse o candidato à Presidência na 2ª entrevista à emissora
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira (16/10), em entrevista à TV Globo, que vai declarar "guerra" ao narcotráfico e que não tentará reverter o fim da escala 6x1, recém-promulgada. Ele enfrenta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, marcado para 25 de outubro. A sabatina foi conduzida pela jornalista Renata Lo Prete, e Flávio foi o segundo entrevistado, conforme sorteio da emissora que definiu a ordem das participações — Lula havia sido sabatinado no dia anterior.
Entre as primeiras medidas que adotaria, o candidato citou classificar já em janeiro o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, à semelhança de medida adotada pelo governo de Donald Trump nos Estados Unidos. Flávio disse ainda que o Brasil ingressaria no chamado Escudo das Américas, iniciativa americana que reúne países da região para combater o tráfico de drogas, e que Marinha e Exército teriam tropas de elite atuando no Porto de Santos e na Amazônia. Sobre o acesso de civis a armas, classificou como "teses malucas" as afirmações de que mais armas em mãos de cidadãos "ordeiros" geram mais violência e defendeu que o Estatuto do Desarmamento seja "melhorado".
Um dos momentos de tensão ocorreu quando a jornalista questionou o senador sobre sua relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e os recursos pedidos ao banqueiro para financiar o filme Dark Horse, sobre a vida de Jair Bolsonaro. Uma investigação da Polícia Federal apontou que o senador pediu R$ 134 milhões a Vorcaro e recebeu quase R$ 70 milhões, valores que não foram diretamente à produtora, mas a um fundo imobiliário nos Estados Unidos administrado por um advogado amigo de Eduardo Bolsonaro. Flávio afirmou que a produtora brasileira prestou contas dos gastos e que não houve irregularidade, tratando o caso como "um pedido de um patrocínio privado para um filme privado, sem absolutamente nenhuma contrapartida". Indagado sobre a diferença entre o valor solicitado e o custo apontado por perícia contratada pela própria produtora, respondeu que o contrato não foi cumprido e que o filme foi concluído com recursos de Vorcaro e outros investidores. Ao fazer acusações contra pessoas ligadas a Lula, foi interrompido por Renata, que disse que não abordaria informações não confirmadas pela apuração da TV Globo e pela Polícia Federal.
Sobre economia, o candidato disse que manterá os reajustes do salário mínimo acima da inflação e não desvinculará as aposentadorias do piso nacional, e que não mudará a Constituição para alterar os pisos mínimos de gastos com saúde e educação. O plano de governo prevê um "tesouraço" nas contas públicas, com economia de cerca de R$ 200 bilhões. Questionado sobre como alcançar a meta, citou corte de gastos, busca de novas receitas, a redução de pelo menos dez dos 39 ministérios, a gestão de imóveis da União por meio de um fundo e a recuperação de dívidas a receber, além dos royalties da exploração de petróleo na Margem Equatorial. Economistas ouvidos pela BBC News Brasil apontam não ser viável conciliar essas promessas com a economia anunciada.
Perguntado se Jair Bolsonaro poderia ter um cargo em seu governo, Flávio respondeu que o assunto não foi tratado com o pai e "não está no radar". Afirmou também que o irmão, Eduardo Bolsonaro, não seria chanceler em um eventual governo, embora faça um "trabalho brilhante" com líderes internacionais conservadores. O candidato votou na quarta-feira (14/10) pelo fim da escala 6x1 no Senado e disse ter passado a defender o fim da jornada após conversar com trabalhadores.
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