Foco na História: as grandes civilizações africanas. A origem do cristianismo na África
Muito antes de os colonizadores europeus chegarem ao continente, ao longo dos séculos XV e XVI, o cristianismo já estava presente na África, sobretudo no norte. A Etiópia tornou-se oficialmente cristã no século IV, sendo uma das nações cristãs mais antigas do mundo. O Egito, por sua vez, foi um dos principais centros do cristianismo primitivo, com destaque para o Patriarcado de Alexandria, e o norte da África se consolidou como um dos maiores polos de produção teológica da Antiguidade.
Segundo o texto, a força das Igrejas locais fez com que a Igreja Católica tivesse três papas nascidos ou com origens comprovadas no norte da África, todos nos primeiros séculos do cristianismo. São Vitor I governou a Igreja entre 189 e 199 d.C.; nascido em uma província romana na atual Tunísia, foi o primeiro papa de origem africana. Seu pontificado marcou a mudança da língua oficial das missas do grego para o latim e a definição da data de celebração da Páscoa. São Melquíades (311–314 d.C.), também originário do norte da África, teve um papado marcado pelo fim das perseguições aos cristãos pelo Império Romano após o Edito de Milão. Já São Gelásio I (492–496 d.C.) tinha origens na mesma região e ficou conhecido pela definição do cânon oficial dos livros da Bíblia e por firmar a autoridade da Igreja frente ao poder político.
Alguns dos mais importantes Pais da Igreja, os chamados Santos Padres, também eram africanos. Tertuliano nasceu em Cartago, na atual Tunísia, e é considerado um dos pais da teologia cristã latina. Cipriano de Cartago, igualmente norte-africano, destacou-se como um dos mais influentes pensadores cristãos do século III, defendendo a unidade da Igreja em tempos de perseguição. Atanásio de Alexandria, originário do Egito, foi um dos maiores defensores da divindade de Cristo. Clemente de Alexandria e Orígenes estavam ligados à escola teológica de Alexandria. Agostinho de Hipona, nascido na região da atual Argélia, é reconhecido como um dos maiores teólogos da história do cristianismo, com obras que influenciaram católicos, ortodoxos e protestantes.
A Igreja norte-africana, no entanto, sofreu dois duros golpes que levaram a fé e a Igreja quase à extinção em regiões onde havia comunidades florescentes. O primeiro foi a invasão dos vândalos no norte da África, iniciada em 429, liderada pelo rei Gessérico, que cruzou o Estreito de Gibraltar com cerca de 80 mil vândalos e aliados. Eles cercaram Hipona um ano depois, e Santo Agostinho morreu durante o ataque; Cartago, a maior cidade romana da região, também caiu. O reino vândalo durou pouco mais de um século, até a reconquista bizantina em 534 d.C. O segundo golpe foi a expansão muçulmana pelo norte da África nos séculos VII e VIII, que impôs a cultura árabe à região onde hoje o cristianismo é minoritário.
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Por Redação