'Fui sequestrada pela Coreia do Norte e forçada a casar com um soldado americano'
Hitomi Soga tinha 19 anos quando foi sequestrada pela Coreia do Norte, em uma tarde de agosto, na ilha de Sado, no Japão. Ela voltava do supermercado com a mãe quando três homens as abordaram por trás, taparam suas bocas e colocaram sacos sobre suas cabeças. Soga passaria os próximos 24 anos em cativeiro, vítima de um programa secreto de sequestros patrocinado pelo Estado norte-coreano nas décadas de 1970 e 1980.
Nos dois primeiros anos, ficou detida em um quartel militar. Em 1980, foi obrigada a se casar com Charles Jenkins, um soldado americano que desertara para a Coreia do Norte em 1965. Apesar de não ter escolha no casamento, Soga passou a amar o marido, com quem teve duas filhas. Em 2002, durante uma cúpula entre Japão e Coreia do Norte, o então líder Kim Jong-il admitiu ter sequestrado 13 cidadãos japoneses. Soga teve permissão para retornar ao Japão, onde se reencontrou com o pai e a irmã. Ela decidiu ficar no país e só voltou a ver o marido e as filhas dois anos depois, quando a família se mudou definitivamente para Sado, em 2004.
Jenkins morreu em 2017. Desde então, Soga dedica-se à campanha para trazer de volta todos os sequestrados que ainda estão na Coreia do Norte. Ela diz que não perde a esperança de reencontrar a mãe, Miyoshi, de quem nunca mais teve notícias após o dia do sequestro.
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Por Redação