Guerra no Irã vai esquentar os preços no inverno dos americanos
O preço do óleo de aquecimento nos Estados Unidos subiu cerca de 60% desde que Israel e os Estados Unidos começaram a atacar o Irã, em 28 de fevereiro. O conflito fez disparar os preços do petróleo e dos combustíveis, pressionando o orçamento de famílias que dependem desse insumo para enfrentar o inverno.
Morador de Long Island, em Nova York, Jonathan Robidoux liga todo outono para o fornecedor para encher o tanque. No inverno passado, gastou US$ 1.200 — o equivalente a R$ 6,1 mil. Neste ano, deve pagar bem mais. Ele ainda tenta decidir se compra óleo agora ou espera o frio aumentar, na esperança de que os preços recuam. "Talvez eu compre um pouco agora, mas não tenho tanta liquidez, então é uma decisão difícil", disse Robidoux, de 41 anos, que aluga uma casa em New Hyde Park.
Cerca de 3% das famílias americanas usam óleo de aquecimento, a maioria no Nordeste ou no Alasca. A média nacional do galão, de US$ 4,10 na semana anterior à guerra, saltou 35% para US$ 5,54 um mês depois, segundo a Administração de Informação de Energia (EIA). Em Nova York, o preço médio chegou a US$ 6,14 o galão na semana de 14 de setembro, ante US$ 3,70 um ano antes, conforme a Autoridade de Pesquisa e Desenvolvimento Energético do estado. Mais de 80% do óleo de aquecimento do país é consumido no Nordeste; no inverno de 2023 a 2024, 4,79 milhões de famílias usaram o combustível como fonte principal.
Quem usa gás natural ou eletricidade deve ter aumentos mais modestos, mas também pode sentir o peso nas contas. Mark Wolfe, diretor executivo da Associação Nacional de Diretores de Assistência Energética, afirmou que muitos americanos caminham para um inverno "muito mais caro" e que os números representam "um golpe significativo" no orçamento da classe média. A entidade pediu ao Congresso, em julho, mais ajuda financeira às famílias afetadas.
A incerteza sobre os preços nos próximos meses leva consumidores a fazer ligações ansiosas a fornecedores, como a Energy Co-op of Vermont. "Definitivamente, há pessoas tentando segurar dessa forma ou fazer planos de receber uma quantidade mínima de galões neste momento, esperando que dure até a próxima vez, na esperança de que o custo seja um pouco menor", disse Rose Friedlander, gerente de marketing da cooperativa. Investidores, porém, apostam em queda: os contratos futuros de óleo de aquecimento para dezembro eram negociados a US$ 4,61 o galão na tarde de quinta-feira, ante US$ 5,10 do contrato de outubro. Os preços de varejo pagos pelos residentes são mais altos que os dos contratos futuros.
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Por Redação