Ian Bremmer: 'Se Lula não agir rápido na economia, o mercado vai castigá-lo duramente'
O cientista político Ian Bremmer, fundador e presidente do Eurasia Group, afirmou que o mercado deve reagir com dureza caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não ajuste rapidamente o rumo da economia. Em entrevista à BBC News Brasil feita horas após o resultado do segundo turno, ele disse ter ficado surpreso com a virada de Lula, que venceu por 4 milhões de votos, mas não chocado. "O Brasil não é para amadores", afirmou.
Segundo Bremmer, os juros subiram e o serviço da dívida tende a ficar mais pesado. Ele lembrou que Lula fez muitas promessas de gasto fiscal para garantir a vitória e avaliou que elas não são sustentáveis. O presidente terá de lidar com um Congresso de inclinação significativamente à direita, que não deve se alinhar automaticamente aos seus esforços de legislar, inclusive na área de tributação. O especialista também apontou que a estratégia de crescer a economia para que a classe trabalhadora não pague pelos erros de governos anteriores costuma não funcionar de forma isolada, e precisa ser combinada com outras medidas.
Sobre a contestação inicial do resultado por Flávio Bolsonaro, Bremmer foi direto: "É patético. É o oposto de liderança". Ele reconheceu que houve irregularidades pontuais, mas afirmou que o número de votos afetados por mudanças de horário determinadas pela Justiça foi de dezenas de milhares, o que considera irrelevante diante da diferença de 4 milhões de votos. Para ele, questionar uma eleição "obviamente livre e justa" é um desserviço ao povo brasileiro.
O analista também comentou a relação com os Estados Unidos. Na avaliação dele, o presidente Donald Trump não tentou intervir na eleição nas semanas anteriores ao segundo turno, o que considerou uma decisão inteligente, já que apoiar Bolsonaro só ajudaria Lula. Bremmer espera que Trump busque com Lula o mesmo tipo de entendimento que conseguiu com a presidente do México, Claudia Sheinbaum.
Por fim, o cientista político criticou a idade de Lula, que completa 81 anos: "Eu não acho que um homem de 81 anos deveria estar dirigindo um país tão importante quanto o Brasil". Ele também se mostrou cético quanto à ideia de que a vitória do petista represente um símbolo global contra a direita. "Uma eleição não muda uma tendência", disse.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentarPor
Redação