Ibovespa em alta, dólar em queda: a reação do mercado entre 1º e 2º turno da eleição
O Ibovespa registrou seu maior avanço diário em seis anos após o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, encerrando o pregão aos 206.911,89 pontos, alta de 7,70%. Durante a sessão, o índice chegou a superar os 209 mil pontos, maior patamar de sua história.
Na última sessão antes do primeiro turno, o índice havia subido 2,63%, aos 192.144,55 pontos. Já no último pregão antes do segundo turno, a alta foi de 0,47%, a 205.082,56 pontos. A variação entre os dois períodos ficou em 6,9%. Segundo dados da Consultoria Elos Ayta, o movimento só foi superado nas eleições de 2002 (alta de 8,15%) e de 2006 (7,90%).
O principal combustível da valorização foi o fechamento das taxas de juros de longo prazo, movimento destacado pelos bancos estrangeiros Goldman Sachs e UBS Wealth Management. O primeiro estima que 85% da alta pode ser explicada pelo comportamento dos juros, enquanto o segundo vê espaço para valorização adicional de cerca de 25% no índice. Papéis como Magazine Luiza (MGLU3) e MRV (MRVE3) dispararam, na mesma trajetória de ações ligadas a construção, varejo e educação.
O capital estrangeiro ficou positivo em R$ 20,15 bilhões em outubro, com entrada recorde de R$ 10 bilhões apenas no dia 5. Nos dados até 21 de outubro divulgados pela B3, o mês aparece como o segundo de maior entrada, atrás apenas de janeiro, quando os estrangeiros trouxeram R$ 26,4 bilhões. O fluxo favorável impulsionou o real: o dólar caiu 4,4% no período, de R$ 5,21 em 2 de outubro para R$ 4,98 na sexta-feira (23). No ano, a moeda norte-americana acumula queda de 9,1%.
As pesquisas eleitorais deram o tom do câmbio ao longo do mês. Ainda que o Datafolha divulgado na noite de quinta-feira tenha mostrado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) empatados com 50% dos votos válidos, boa parte do mercado seguiu posicionada para uma vitória de Flávio. Para o dólar, o Goldman Sachs projeta a moeda em R$ 4,70 em três meses, com base na expectativa de ajuste fiscal e queda do prêmio de risco. Já levantamento do Citi aponta que 49,3% dos participantes esperam alta superior a 5% do Ibovespa no pregão de segunda-feira em caso de vitória de Flávio.
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