Lula conquista a 1ª vitória da esquerda na América Latina desde que Trump voltou ao poder; veja mapa
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) interrompeu o avanço de uma onda de direita que ganhou força na América Latina nos últimos anos, após a volta de Donald Trump ao governo dos Estados Unidos. Segundo a reportagem, trata-se da primeira eleição presidencial vencida pela esquerda na região desde que Trump retornou à Casa Branca em 2025. Na Colômbia, no Peru, na Costa Rica, em Honduras, no Chile, na Bolívia e no Equador, triunfaram candidatos conservadores.
O mapa ideológico da região segue mais pintado de azul, mas com as duas maiores economias pintadas de vermelho: o Brasil e o México, do governo de Claudia Sheinbaum. A mexicana foi uma das primeiras a felicitar a vitória de Lula. "Viva a democracia, ganhou o povo do Brasil. Parabéns, presidente Lula!", escreveu nas redes sociais. Só em 2026, aconteceram as recentes vitórias de Keiko Fujimori, no Peru, e Abelardo de la Espriella, na Colômbia.
A professora Carolina Silva Pedroso, do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), avalia que o mapa da região é de um "azul de diferentes tons", com líderes mais radicais, como Javier Milei, na Argentina, e menos, como Rodrigo Paz, da Bolívia. "Há certa pluralidade dentro do que cada um desses líderes representam, mas o que os unificam é um forte alinhamento ao governo de Donald Trump", diz.
Trump tem buscado ampliar sua influência hemisférica ao apoiar candidatos ideologicamente alinhados, ordenar operações militares diretas na região e formar uma aliança de segurança com 14 governos, denominada Escudo das Américas. Lula é um dos poucos presidentes latino-americanos que enfrentaram abertamente essa ofensiva de Washington. Para Sidney Chalhoub, professor do Departamento de História de Harvard e da Unicamp, a vitória de Lula "pode ser uma virada na América Latina, principalmente se for acompanhada por uma derrota acachapante do Trump nas midterms".
A cientista política Denilde Holzhacker, especialista em relações internacionais na ESPM, avalia que as eleições brasileiras, diferentemente de outros países da América Latina, tiveram como pauta importante uma avaliação negativa sobre a intervenção americana e das grandes empresas donas das redes sociais, as big techs. Na América do Sul, além do Brasil, a esquerda mantém apenas o governo do Uruguai, de Yamandú Orsi, eleito em novembro de 2024. Os outros dois países "vermelhos" no mapa são Guiana e Suriname, administrados por partidos ligados à centro-esquerda.
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