Lula reitera compromisso com responsabilidade fiscal e minimiza dívida pública
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira que seu governo mantém compromisso com a responsabilidade fiscal, mas que também considera a responsabilidade social em suas decisões. A declaração foi feita durante reunião extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), em meio a pressões por medidas de ajuste e à queda de ativos brasileiros nos mercados financeiros após sua reeleição no fim de outubro.
No discurso, Lula disse que a dívida brasileira não é tudo o que parece. "Se a gente for analisar a nossa dívida de verdade, ela nem é tudo o que aparece… se coloca como dívida pública brasileira o que não é", afirmou. O presidente também rebateu críticas sobre a condução das contas públicas. "Para alguém falar que a gente não tem responsabilidade fiscal, é preciso ver como a gente pegou esse governo", acrescentou.
Lula citou seu histórico à frente da Presidência entre 2003 e 2010, quando, segundo ele, houve superávit primário em todos os anos. "Eu tenho comigo a minha história, eu fui o único presidente, de 2003 a 2010, que fiz superávit primário todo ano", declarou. Ele assegurou que o país continuará com responsabilidade social e que os mais pobres não pagarão a conta de eventuais ajustes.
A dívida pública bruta do Brasil vem crescendo em ritmo acelerado e subiu mais de 11 pontos percentuais no terceiro mandato de Lula, chegando a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB). O indicador é apontado por economistas como o principal termômetro da solvência do país, e o avanço tem gerado preocupação sobre a trajetória de expansão do endividamento.
Após a vitória de Lula no segundo turno, os juros futuros registraram alta, o Ibovespa caiu e o dólar teve valorização expressiva ante o real. Agentes do mercado aguardam informações sobre a equipe econômica do quarto mandato e sinalizações sobre a política econômica a partir de janeiro do ano que vem. Na quinta-feira, o presidente se reuniu com autoridades e conselheiros no Palácio da Alvorada para debater a agenda econômica e pediu que os ministros afunilem medidas para serem validadas apenas após sua viagem ao exterior.
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