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Maioria dos compradores querem pagar até R$ 350 mil em um imóvel em São Paulo

Atualizado em 23/09/2026 às 08:35 schedule 4 min de leitura visibility 0 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Um levantamento da Loft, feito em parceria com a Offerwise entre julho e agosto deste ano, aponta um desencontro entre as expectativas de quem quer comprar e de quem pretende vender imóveis em São Paulo. Enquanto 34% dos proprietários esperam receber entre R$ 801 mil e R$ 2 milhões, apenas 20% dos interessados em comprar estão dispostos a pagar nessa faixa. Na outra ponta, 42% dos potenciais compradores buscam imóveis de até R$ 350 mil, mas só 31% dos vendedores esperam fechar negócio nesse valor.

A pesquisa ouviu 1.400 entrevistados em seis capitais — São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília e Goiânia —, com amostras representativas das populações adultas de cada capital. Na faixa intermediária, de R$ 351 mil a R$ 800 mil, a proporção é mais equilibrada: 31% dos vendedores esperam receber esse valor, enquanto 30% dos compradores pretendem pagar dentro dessa mesma faixa.

Segundo Fábio Takahashi, gerente de dados da Loft, a divergência está menos relacionada à falta de imóveis disponíveis e mais à dificuldade de se chegar a um preço considerado justo pelas duas partes. "A diferença parece estar mais ligada à formação do preço do que falta de produto. Como o Brasil hoje não tem um sistema público quase que universal de informações sobre preço, como o MLS nos Estados Unidos, demora-se muito para que compradores e vendedores consigam chegar no ponto de equilíbrio", afirma. De acordo com ele, estudos internos da companhia mostram que imóveis anunciados por valores mais alinhados ao mercado têm quatro vezes mais chance de receber uma oferta.

Apesar do descompasso, há espaço para negociação: 74% dos vendedores dizem que estariam dispostos a conceder algum desconto para concluir a venda, e 37% aceitariam abatimentos de até R$ 50 mil. O levantamento cita ainda dados do ITBI segundo os quais o valor médio das transações na capital paulista é de R$ 792 mil — patamar que fica entre o orçamento da maior parte dos compradores e a expectativa da maior parte dos vendedores. Para Takahashi, essa dificuldade de convergência ajuda a explicar o tempo médio necessário para vender um imóvel no país, em torno de 16 meses, ante cerca de quatro meses nos EUA.

A concentração da demanda nas faixas mais baixas é mais evidente entre os jovens adultos. Entre os entrevistados de 25 a 34 anos, 51,3% pretendem comprar imóveis de até R$ 350 mil, o maior percentual entre as faixas etárias analisadas. Por estado civil, 51,9% dos solteiros, divorciados e viúvos planejam comprar nessa faixa, proporção que cai para 32,7% entre os casados. No recorte por renda, a intenção alcança 55,6% das classes D e E, 49,4% da classe C e 35% da classe B; na classe A, apenas 11,9% procuram imóveis nessa faixa, enquanto metade pretende adquirir imóveis entre R$ 801 mil e R$ 2 milhões.

O crédito segue central: 70% dos entrevistados afirmam que pretendem recorrer a algum tipo de financiamento bancário, e 30% desses citam programas habitacionais do governo, como o Minha Casa, Minha Vida. O FGTS é mencionado por 30% do total da amostra. Já a compra exclusivamente com recursos próprios aparece para 30% dos entrevistados. Para Takahashi, o avanço do crédito imobiliário mesmo em cenário de juros elevados mostra que outros fatores pesam mais na decisão das famílias. "No fim, quem define o momento de comprar um imóvel é a estabilidade e a renda da família e isso segue sendo o fator mais determinante, até mais do que o crédito em si", afirma.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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