Mendonça e Fux dizem à PF que não conseguem acessar íntegra do celular de Vorcaro
Os ministros André Mendonça e Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), informaram à Polícia Federal neste sábado (19) que seus gabinetes não conseguiram acessar o conteúdo da mídia com a íntegra dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Cada magistrado enviou um ofício ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmando que, até esta tarde, não puderam ter “acesso efetivo ao material ali contido”.
A mídia foi entregue pela Polícia Federal aos gabinetes de Mendonça e Fux na quinta-feira, junto com uma cópia da íntegra dos dados extraídos do aparelho de Vorcaro. Os dois haviam solicitado acesso ao material. Com a entrega, subiu para cinco o número de ministros do STF que receberam cópias dos dados: além deles, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes já haviam recebido o conteúdo diretamente da PF.
Nos documentos encaminhados neste sábado, ambos registram que receberam uma cópia da mídia referente ao telefone apreendido em 18 de novembro de 2025, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero. O aparelho é identificado no ofício pelo número de série e pelos dois números de IMEI.
Segundo os ministros, porém, os gabinetes não conseguiram acessar os dados. Os dois ofícios, enviados separadamente, apontam as mesmas duas possibilidades para o problema: “dificuldades de ordem técnica operacional” ou “algum tipo de defeito contido na mídia entregue”. Por isso, afirmam que os dados permanecem indisponíveis para exame e análise.
Os ministros pedem então à Polícia Federal “o auxílio técnico operacional necessário” e a conferência da “higidez do material especificamente entregue” aos gabinetes. O objetivo, segundo os documentos, é verificar a integridade da mídia e superar qualquer impedimento ao acesso ao conteúdo.
A entrega da íntegra aos gabinetes de Fux e Mendonça ocorreu em meio à crise no STF provocada pelas mensagens extraídas do celular de Vorcaro. O conteúdo já havia revelado conversas do banqueiro com o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, além de referências ao ministro Kassio Nunes Marques. Na sessão de terça-feira, Mendonça afirmou que só tomou conhecimento naquele momento da existência de referências a outros integrantes do tribunal no material apreendido. O ministro disse ainda que, embora tivesse recebido antes uma cópia de segurança da extração feita pela PF, o material permanecia lacrado em seu gabinete e não havia sido acessado por ele.
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Por Redação