Michelle Bolsonaro foi a campeã de votos no presídio da Papuda e o PL foi o partido mais votado, mostra levantamento
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) foi a candidata ao Senado mais votada na seção eleitoral instalada no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, nas eleições de domingo (4). Segundo o boletim da urna da seção 0420, da 18ª Zona Eleitoral do Distrito Federal, Michelle recebeu 68 votos. Na sequência aparecem Erika Kokay (PT), com 62; Leila do Vôlei (PDT), com 58; e Bia Kicis (PL), com 54.
O desempenho das duas candidatas eleitas pelo DF foi distinto dentro da unidade prisional. Michelle liderou a votação para o cargo, enquanto Bia Kicis ficou atrás de duas candidatas de partidos adversários. No resultado geral do Distrito Federal, Michelle conquistou 938.496 votos e Bia Kicis recebeu 886.616, garantindo as duas vagas em disputa.
Levantamento publicado pela TMC aponta que o PL somou 233 votos na Papuda quando reunidos os resultados de seus candidatos à Presidência, ao Senado, à Câmara dos Deputados e à Câmara Legislativa do Distrito Federal. O PT ficou em segundo lugar, com 203 votos. O número não equivale a 233 eleitores: como cada eleitor pôde escolher candidatos para diferentes cargos, incluindo dois senadores, trata-se da soma de votos destinados aos candidatos de cada legenda, e não de uma contagem de pessoas. O PL não apresentou candidatura própria ao governo do Distrito Federal, cargo que ficou fora da soma.
Na disputa presidencial, o resultado foi diferente da soma partidária. Lula (PT) recebeu 74 votos, contra 70 de Flávio Bolsonaro (PL) — diferença de quatro votos. Ronaldo Caiado (PSD) teve seis votos; Renan Santos (Missão), quatro; e Augusto Cury (Avante), dois. Foram registrados ainda três votos em branco e três nulos para presidente. Para o governo do DF, Celina Leão (PP) foi a mais votada, com 65 votos.
A seção da Papuda tinha 185 eleitores aptos, dos quais 162 compareceram às urnas, participação de 87,57%. O direito ao voto em unidades prisionais depende da situação jurídica de cada pessoa: presos provisórios puderam votar quando atendidos os requisitos da Justiça Eleitoral, enquanto a Constituição determina a suspensão dos direitos políticos de pessoas com condenação criminal transitada em julgado enquanto durarem seus efeitos. Entre os eleitores aptos estavam Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. O sigilo do voto impede identificar as escolhas individuais, inclusive de investigados ou presos provisórios.
Os dados se referem a uma única seção, com 162 eleitores presentes, e não representam a preferência da população prisional brasileira. A cobertura do Metrópoles registra que policiais penais em serviço também puderam votar no local. O resultado ilustra que o eleitor não é obrigado a votar em candidatos de um mesmo partido para todos os cargos: na mesma seção, Lula superou Flávio Bolsonaro para presidente, Michelle liderou o Senado e o PL teve a maior soma de votos entre as legendas.
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Por Redação