Ministro André Mendonça afasta Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal
Ministro André Mendonça afasta Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira o afastamento imediato do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A decisão ocorre em meio a investigações sobre o uso da estrutura de inteligência da corporação para monitorar atos do próprio magistrado. Também foi afastado o diretor de inteligência, Leandro Almada.
Segundo a decisão, a área de inteligência da PF produziu pelo menos seis relatórios, entre os dias 3 e 31 de agosto, focados exclusivamente nas decisões judiciais e na conduta do ministro. Mendonça alegou ter sido alvo de monitoramento ilegal e sistemático e considerou os afastamentos necessários para preservar as apurações sobre o suposto uso político da estrutura da corporação para questionar a atuação de ministros e monitorar outras autoridades.
Rodrigues se tornou figura central no governo ao ser o delegado responsável pela segurança pessoal do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva na campanha eleitoral de 2022. Após a vitória, foi escolhido para comandar a PF, tornando-se um dos homens de maior confiança do presidente na área de segurança pública, com trânsito livre no Palácio do Planalto e presença de destaque em eventos oficiais.
O afastamento de um aliado próximo gera desgaste para o presidente às vésperas do período eleitoral. Especialistas avaliam que o episódio fortalece a tese da oposição sobre um possível aparelhamento político da PF para blindar aliados e perseguir adversários. O governo federal indicou que pretende recorrer da decisão, tentando levar o caso ao plenário completo do STF. Lula ainda não se manifestou publicamente.
A decisão causou revolta na cúpula da instituição. Onze diretores da PF colocaram seus cargos à disposição em protesto e apoio a Rodrigues e Almada. Em nota, os dirigentes afirmaram que as suspeitas de atuação não republicana são infundadas e que narrativas políticas não podem apagar a história institucional da corporação. Delegados e superintendentes regionais em todo o país começaram a articular uma saída coletiva, o que abre nova frente de tensão interna e pressiona o comando interino.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação