Na corrida da IA, EUA lideram em modelos, mas China tem outras vantagens
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebe o líder chinês Xi Jinping para uma visita de Estado iniciada na noite de quarta-feira, em um encontro que deve abordar temas como a guerra com o Irã, Taiwan e as tarifas comerciais. Entre os assuntos em pauta, nenhum despertou tanta atenção global nas últimas semanas quanto a possibilidade de um entendimento sobre o ritmo de desenvolvimento da inteligência artificial.
As expectativas para um acordo relevante, no entanto, permanecem baixas. Os dois países estão engajados em uma corrida pela IA que ambos consideram decisiva para obter vantagem militar, tecnológica e econômica, enquanto a desconfiança mútua segue elevada, segundo especialistas em política externa. Analistas ocidentais geralmente estimam que os Estados Unidos mantenham uma vantagem de cerca de seis meses sobre a China no desenvolvimento dos modelos mais avançados.
Os Estados Unidos levam vantagem em semicondutores. A maior parte dos chips especializados para desenvolver e operar sistemas de IA é projetada por empresas americanas, incluindo a Nvidia. Ao longo da última década, três administrações presidenciais impuseram controles de exportação que limitaram o acesso chinês aos chips mais avançados. Para contornar as restrições, empresas chinesas adquirem acesso remoto a centros de dados fora do país, estratégia que ajudou a reduzir a distância tecnológica no último ano. A China investe pesadamente em sua própria indústria, mas, segundo a Huawei, ainda faltam anos para que os chips chineses alcancem o desempenho dos modelos atuais da Nvidia.
A China enfrenta menos resistência política interna. Pesquisas de opinião mostram que a IA vem se tornando cada vez mais impopular nos Estados Unidos, com preocupações sobre empregos, educação e segurança. Uma pesquisa do Pew Research Center apontou que 60% dos americanos se sentem desconfortáveis com a instalação de um novo data center em sua região. No país asiático, uma pesquisa da KPMG em 47 países mostrou que 69% dos chineses acreditam que os benefícios da IA superam os riscos, contra 35% dos americanos.
As estratégias também seguem caminhos opostos. Empresas americanas como OpenAI e Anthropic mantêm controle rígido sobre seus modelos e defendem regulações federais. Na China, companhias como DeepSeek, Moonshot e Z.ai frequentemente disponibilizam seus modelos mais avançados em código aberto. Segundo especialistas, se os melhores modelos abertos passarem a ser chineses, desenvolvedores de todo o mundo tenderão a construir aplicações sobre essas plataformas. Alguns analistas apontam ainda que, se a China reduzir sua dependência de chips estrangeiros, poderá ganhar terreno graças à sua infraestrutura elétrica.
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Por Redação