Novas mensagens sugerem proximidade entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro
Novos diálogos recuperados pela Polícia Federal e revelados nesta sexta-feira (6) indicam contato frequente entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. As mensagens, obtidas nos meses anteriores à prisão do executivo em 2025, mostram interações em tom amigável entre os dois.
Em uma das conversas, de outubro de 2025, o ministro teria agradecido ao empresário em tom informal, com o uso de gírias de internet. Em outro diálogo, Vorcaro chama o magistrado de "paizão" após Moraes comentar sobre compromissos familiares. Os registros apontam ainda mais de 300 interações nos dois meses que antecederam a prisão do banqueiro, incluindo a marcação de encontros presenciais em Brasília e referências a almoços em hotéis de luxo.
As mensagens também mostram que Vorcaro enxergava no ministro uma ponte para influenciar órgãos de controle. Em outubro de 2025, o banqueiro pediu que Moraes conversasse com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, para evitar o que classificou como ações de subordinados que pudessem prejudicar o Banco Master. Vorcaro chegou a sugerir que a PF atrasasse operações para que o banco não quebrasse e, horas antes de ser preso no aeroporto, tentou confirmar se medidas cautelares contra ele haviam sido bloqueadas.
Moraes rebate integralmente as suspeitas e nega a existência de qualquer diálogo real com o banqueiro. Em ofício enviado à presidência do STF, argumentou que não há uma única mensagem escrita por ele nos registros e classificou os arquivos como rascunhos ou notas unilaterais criadas pelo próprio empresário, sem prova de envio. O ministro afirmou ainda que nunca julgou processos de Vorcaro ou do Banco Master no Supremo e que sequer conhecia os juízes de primeira instância responsáveis pela ordem de prisão. Ele também sustenta ser alvo de uma tentativa de perseguição política interna na Corte.
O caso gerou embate dentro do STF, especialmente entre Moraes e o ministro André Mendonça, acusado pelo colega de agir por vingança política e de abrir investigação de ofício, sem autorização do plenário ou pedido formal da PGR. O julgamento está paralisado por um pedido de vista do ministro Flávio Dino, apresentado em setembro de 2025. Dino tem prazo de 90 dias para devolver o processo, o que deve ocorrer até dezembro de 2026, quando será definido se as condutas do ministro e a validade das provas da Polícia Federal serão investigadas.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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