O que a BBC viu na linha de frente da guerra no Iêmen, o conflito que ameaça a segurança energética do mundo
Em uma rara incursão à zona de conflito no sudoeste do Iêmen, uma equipe da BBC acompanhou as forças governamentais de Taiz até a linha onde termina o controle do governo e começa a chamada terra de ninguém. O avanço ocorre em meio à intensificação dos combates desde que os houthis tomaram o estratégico porto de Mokha, no Mar Vermelho, em 10 de setembro, após o rompimento de um cessar-fogo que se mantinha em grande parte havia quatro anos.
Durante a aproximação, um soldado que acompanhava a equipe alertou sobre a presença de um drone. O grupo se abrigou sob arbustos e deixou o local; cerca de dez minutos depois, ouviu estrondos altos de impactos sucessivos, sem clareza sobre onde atingiram o solo. Nas montanhas a sudoeste de Taiz, é difícil precisar onde começa a linha de frente. As forças pró-governo apoiadas pela Arábia Saudita tentam repelir os combatentes houthis, que avançaram pela costa do Mar Vermelho no início do mês e assumiram o controle de um importante gargalo para a navegação.
Nas encostas, muitas casas estão abandonadas após a fuga de famílias. Ali, morador que forneceu apenas o primeiro nome por temor de represálias, disse ter permanecido com a esposa e as irmãs para cuidar das cabras, a cerca de 1 km da linha de frente, enquanto enviou os filhos a um campo de deslocados. "Dois morteiros caíram aqui na minha propriedade", relatou. Em um posto de controle próximo, um combatente recém-retornado de posições no alto da montanha afirmou que os corpos de 18 soldados do governo estavam em uma área sob fogo de sua unidade, mas inacessível para retirada.
Taiz, terceira maior cidade do Iêmen e sua capital cultural, abriga quase 1 milhão de pessoas e fica em uma interseção vital entre áreas controladas pelos houthis no norte e pelo governo no sul. As forças governamentais controlam o centro, enquanto posições houthis estão a norte e a leste; os combates mais intensos ocorrem nas vias de acesso a oeste, onde os dois lados disputam o terreno elevado com vista para a rota ao sul. Se os houthis assegurarem essas áreas, as forças governamentais podem ter muito mais dificuldade para retomar Mokha.
No hospital al-Thawra, à noite, feridos da linha de frente ocupavam todos os leitos de terapia intensiva que a equipe viu, entre combatentes e civis. Ghana Nabeel, de 12 anos, foi atingida na cabeça por estilhaços enquanto pastoreava cabras; segundo sua família, um morteiro houthi caiu nas proximidades. Um médico disse que a lesão danificou o cérebro da menina. A cerca de 20 km ao sul de Taiz, no campo de deslocados de al-Monig, famílias chegavam de Mokha e de aldeias atingidas pelos combates. Maryam Saleh, nome fictício, relatou ter caminhado descalça com o marido e cinco filhos, sem levar nada além das crianças, e disse que um sobrinho foi morto por estilhaços de um morteiro durante a fuga.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentarSobre o autor
Por Redação