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O que Flávio Bolsonaro ainda precisa esclarecer sobre 'Dark Horse' — e por que o filme não sai antes das eleições

Por Redação
Atualizado em 10/09/2026 às 09:35 schedule 3 min de leitura visibility 1 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A delação de um operador financeiro e a pressão da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo fim do sigilo do depoimento recolocaram o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, no centro da disputa eleitoral. O movimento ocorre a menos de um mês do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, e no momento em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) se recupera nas pesquisas de intenção de voto. Segundo o agregador da BBC News Brasil, Flávio aparece à frente de Lula em um eventual segundo turno, com 45% dos votos contra 44%.

Em maio, o site The Intercept Brasil revelou que Flávio teria pedido ao banqueiro Vorcaro US$ 24 milhões, o equivalente a R$ 134 milhões, para financiar a produção do filme. Vorcaro, preso desde novembro de 2025, é suspeito de fraudar R$ 12 bilhões do sistema financeiro. Flávio afirmou ao Jornal Nacional, em agosto, que o caso é uma "página virada", que se tratou de uma transação privada e que a produtora já prestou contas sobre o uso dos recursos. Para adversários e para a Polícia Federal, porém, ainda há perguntas sem resposta.

O caso voltou à tona após Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, fechar um acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República, homologado pelo ministro André Mendonça, relator da investigação do Caso Master no Supremo Tribunal Federal. Mineiro é dono da Entre Investimentos e Participações e apontado como principal operador financeiro de Vorcaro. Segundo a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, ele afirmou em sua delação ter feito, a pedido de Vorcaro, sete pagamentos para o fundo Havengate, com sede nos Estados Unidos e ligação com um advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Os repasses somaram US$ 12,3 milhões, cerca de R$ 69 milhões na cotação da época. Os últimos teriam ocorrido em setembro e outubro, segundo apurou a revista Piauí — às vésperas da prisão de Vorcaro.

Entre os pontos que seguem sem esclarecimento está o destino do dinheiro de Vorcaro. A PF investiga se os recursos teriam sido usados para bancar a permanência de Eduardo Bolsonaro nos EUA, onde está desde fevereiro de 2025 e é considerado foragido da Justiça brasileira. Eduardo admitiu ter assinado contrato como produtor do filme e investido R$ 350 mil, mas disse ter recebido o valor de volta após a obra obter outros patrocinadores. Também não se sabe quanto Vorcaro de fato pagou à produção: o The Intercept informou US$ 10,6 milhões, e a Piauí apontou ao menos mais dois repasses, um de US$ 1,66 milhão e outro de valor não identificado, elevando o total a US$ 12,3 milhões. Flávio havia dito à GloboNews que o último pagamento ocorrera em maio de 2025, mas os repasses teriam continuado até as vésperas da prisão do banqueiro.

Os detalhes completos da delação de Mineiro não vieram a público, e a BBC News Brasil não obteve resposta da produtora GoUp Entertainment sobre o caso. Flávio não quis comentar o assunto com a BBC. À Folha de S.Paulo, a GoUp confirmou o repasse de mais uma parcela, em setembro de 2025, e negou que tenha havido outra em outubro. O filme, segundo o material disponível, deverá ser lançado apenas depois das eleições.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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