O que o Canadá arrisca ao retaliar as tarifas de Trump?
O Canadá decidiu abandonar as negociações comerciais com os Estados Unidos e responder às tarifas americanas com medidas retaliatórias. A decisão do primeiro-ministro Mark Carney, anunciada na sexta-feira (21/08), marca um teste político para o líder canadense, que se tornou um dos primeiros chefes de governo a deixar a mesa de negociação com a Casa Branca.
Carney confirmou que aplicará tarifas equivalentes às impostas por Washington, "dólar por dólar", a partir de 8 de setembro, incluindo taxas sobre aço, laticínios, eletrodomésticos e eletrônicos. Ele classificou as novas tarifas americanas como um "erro de cálculo" destinado a "nos prejudicar e nos dividir". O primeiro-ministro afirmou que os termos propostos pelos EUA em cima da hora "eram injustos, antieconômicos e colocavam em dúvida a confiabilidade de qualquer acordo".
A escalada da disputa deve causar transtornos para ambos os lados da fronteira. O Canadá envia cerca de 70% de suas exportações para os EUA, e o país é o principal parceiro comercial de vários Estados americanos, como Michigan, Kentucky, Indiana e Ohio. Pesquisas recentes indicam apoio dos canadenses à postura firme: um levantamento da Leger mostrou que 56% querem que o governo federal não faça mais concessões, enquanto a Abacus Data sugeriu que 36% apoiariam a retaliação.
O boicote de consumidores canadenses a produtos e viagens aos EUA já gerou impacto econômico. As exportações de vinho americano para o Canadá caíram 78% em relação ao ano anterior, uma perda de US$ 357 milhões. A associação de destiladores dos EUA relatou queda de mais de 70% nas exportações de bebidas destiladas americanas, após a maioria das províncias canadenses retirar esses produtos das prateleiras.
O colapso do acordo também coloca em dúvida o futuro de negociações semelhantes, incluindo a revisão do pacto de livre comércio entre EUA, México e Canadá. Líderes provinciais, como o primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, e o líder da oposição conservadora, Pierre Poilievre, manifestaram apoio à decisão de Carney de se afastar das negociações, mas o desfecho dependerá da disposição dos canadenses em aceitar o custo econômico do enfrentamento.
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Por Redação