O STF paralisa o país e emperra o desenvolvimento econômico
O Brasil reúne condições naturais que muitas nações almejam: alimento, reservas hídricas e energia. O país alimenta quase 1 bilhão de pessoas no mundo e dispõe de fontes energéticas como petróleo, água e biomassa. Recentemente, descobriu também ter a segunda maior reserva de terras raras, minerais essenciais para a indústria de inteligência artificial, de alta tecnologia e bélica.
Apesar disso, a renda per capita brasileira, corrigida pela paridade do poder de compra, fica abaixo da de Gabão e Uruguai e próxima da do Egito. Para o colunista Alan Ghani, a explicação passa pela cultura e pela qualidade das instituições. Ele cita como exemplo a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) da terça-feira (15), que classificou como "espetáculo dantesco" marcado pela materialização do patrimonialismo.
Segundo o texto, ficou evidente como alguns ministros misturam interesses da sociedade com os particulares, tratando o Estado como extensão de suas casas, inclusive no trato com os pares. O colunista afirma que, em qualquer país sério, o ministro Alexandre de Moraes seria investigado pelos indícios de corrupção e obstrução da Justiça em suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro. No Brasil, porém, o país parou para assistir a manobras, insultos e chicanas para não abrir investigação contra Moraes, em um "jogral teatral" de Flávio Dino e Gilmar Mendes, com desrespeito ao presidente da Corte, Edson Fachin, ao ministro André Mendonça e aos brasileiros que pagam os salários dos ministros por meio de impostos.
O texto sustenta que o país está parado e continuará assim por causa do julgamento sobre a possível abertura de investigação contra Moraes. Em condições de harmonia entre os três Poderes, já seria difícil aprovar reformas essenciais; nas atuais, a discussão de reformas estruturais — fiscal, administrativa, judiciária e previdenciária — torna-se quase impossível. O colunista destaca como urgente uma reforma fiscal capaz de estabilizar a dívida pública, reduzir juros e liberar recursos para investimentos em infraestrutura, saneamento, transportes e educação básica.
O texto aponta ainda que o Congresso se omite e prefere brigar por emendas e aumento dos fundos partidário e eleitoral, enquanto o atual governo, segundo o colunista, adota políticas de crédito fiscalmente irresponsáveis e inflacionárias para estimular o consumo e ganhar eleições. Para Ghani, esse esquema corporativista, fisiológico e patrimonialista presente nos três Poderes não é novidade na história brasileira, e a letargia da sociedade diante disso agrava a mediocridade econômica e social do país.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentarSobre o autor
Por Redação