Os novos vídeos que indicam possível papel de agente da Arábia Saudita no 11 de Setembro
Vídeos obtidos pela BBC e que fazem parte de um processo bilionário movido por familiares de vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001 contra a Arábia Saudita indicam que Omar al-Bayoumi, homem apontado como possível agente saudita, tinha ligações amplas com autoridades do governo do país e participou de partidas de paintball com um dos futuros líderes da al-Qaeda. As imagens, que estavam em posse do FBI poucos dias após os ataques, contrastam com 25 anos de negativas de Bayoumi de que fosse extremista ou espião.
Bayoumi, que dizia ser estudante quando viveu nos EUA, aparece em um vídeo abraçando Anwar al-Awlaki, que mais tarde lideraria a al-Qaeda na Península Arábica. Em outra gravação, feita por ele entre 1997 e 1998 perto de San Diego, Bayoumi e Awlaki aparecem em simulações de combate urbano com um funcionário do Ministério dos Assuntos Islâmicos da Arábia Saudita. Agentes do FBI foram informados, após o 11 de Setembro, de que alguns participantes usavam essas atividades como treinamento para a jihad. Awlaki foi morto em um ataque de drone da CIA em 2011.
Os vídeos nunca haviam sido exibidos publicamente e integram a ação judicial que argumenta que a Arábia Saudita foi cúmplice dos ataques. Bayoumi foi preso no Reino Unido pela polícia de Londres poucos dias depois dos atentados, e as imagens foram encontradas entre seus pertences, junto com outras evidências. Entre elas estava um diagrama de um avião acompanhado de uma equação matemática que expressa a descida de voo. O documento foi enviado ao escritório do FBI em Nova York e analisado, segundo uma fonte da agência, mas nunca foi compartilhado com os investigadores britânicos que interrogaram Bayoumi, nem com a Comissão do 11 de Setembro.
A investigação da BBC também apontou que agentes do FBI em San Diego, onde Bayoumi viveu, solicitaram repetidamente cópias das evidências, mas nunca receberam a maior parte delas. Os escritórios da agência em San Diego e Los Angeles foram impedidos de entrevistar contatos de Bayoumi ligados ao governo saudita. Uma autoridade do Departamento de Justiça dos EUA afirmou à BBC que nunca lhe foi apresentada uma proposta para processar Bayoumi com base no diagrama, embora já tenham ocorrido condenações por evidências consideradas menores.
Bayoumi jamais foi processado. Quando foi interrogado remotamente em 2021, no âmbito do processo das famílias, ele insistiu que não conhecia Awlaki — afirmação contradita pelos vídeos, que só foram disponibilizados confidencialmente ao tribunal um ano depois e incluídos nos registros públicos em setembro deste ano. Nem ele nem o governo saudita responderam aos pedidos de comentário da BBC, mas ambos sempre negaram envolvimento ou conhecimento prévio dos ataques. O FBI declarou que não se pronunciaria sobre o caso.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação