Os três pilares que sustentam os 102 anos da Suzano, segundo David Feffer
O presidente do Conselho de Administração da Suzano, David Feffer, atribuiu a longevidade de 102 anos da companhia à combinação de características herdadas de duas gerações da família. Em palestra no G4 Valley, nesta quinta-feira (29), no São Paulo Expo, ele afirmou que a capacidade de executar sem esperar pelas condições ideais, aprendida com o avô, Leon Feffer, e a disciplina da reflexão e do planejamento, herdada do pai, Max Feffer, foram fundamentais para construir sua própria visão de empreendedorismo.
Segundo Feffer, o avô, como fundador, era um homem de execução, que não esperava muito e resolvia os problemas, enquanto o pai tinha um perfil mais calmo para planejar e fazer melhores escolhas. Foi a partir dessas duas referências que ele passou a refletir sobre como unir a capacidade de agir à necessidade de pensar estrategicamente. A experiência em diferentes áreas da empresa o levou a desenvolver o que chama de ambidestria, a habilidade de conciliar características aparentemente distintas, como planejamento e execução, curiosidade e reflexão.
A trajetória da família começou com Leon, que deixou a Ucrânia e construiu seu negócio no Brasil. Max participou da expansão, e David assumiu a responsabilidade de conduzir um novo ciclo de desenvolvimento e profissionalização. Ele contou que, apesar de ter sido preparado durante anos, sentiu medo quando o momento chegou, e que as mortes seguidas do avô e do pai, em 1999 e 2001, tornaram o processo mais difícil. Foi nesse período que decidiu que o próximo legado deveria estar associado à sustentabilidade e à construção de uma empresa capaz de atravessar novas gerações.
A estratégia foi organizada em três pilares. O primeiro é a profissionalização da gestão, com a possibilidade de que os principais cargos sejam ocupados por executivos de fora da família controladora, considerando a capacidade profissional e não o sobrenome. O segundo é ampliar o compromisso da companhia para além dos acionistas, incorporando os interesses de funcionários, clientes, fornecedores e comunidades. O terceiro é assegurar o comprometimento dos acionistas controladores com o negócio no longo prazo.
Feffer destacou que a Suzano planta atualmente cerca de 1,2 milhão de mudas de árvores por dia e tem saldo líquido de remoção de carbono equivalente de mais de 13 milhões de toneladas por ano. Ele citou o papel da biotecnologia e da inteligência artificial no desenvolvimento de árvores mais resistentes e produtivas e alertou que o maior risco para o empreendedor é permitir que o crescimento produza uma sensação de autossuficiência. “O sucesso pode deixar a gente cego e surdo”, afirmou, defendendo que empresários mantenham a liberdade intelectual para ouvir críticas e opiniões divergentes.
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