Pandemia, Joesley Day, eleição: relembre os maiores sustos do Tesouro Direto
A alta das taxas do Tesouro Direto no primeiro pregão após a reeleição do presidente Lula, na segunda-feira (26), entrou para a série histórica do programa como o maior salto diário já registrado. O levantamento considera apenas a série do Tesouro Direto, com dados desde dezembro de 2004, e compara a taxa de abertura de cada dia com a do pregão anterior, tomando por base o prefixado com maior alta. Por esse critério, quando o evento ocorre à tarde ou à noite, seu efeito aparece na série na manhã seguinte.
Segundo o levantamento, a data de 26/10/2026 registrou avanço de 2,88 pontos percentuais nos prefixados, acima dos 2,06 pontos de 12/03/2020, quando a Organização Mundial da Saúde declarou a pandemia de Covid-19. Completam o pódio a crise financeira global, em 23/10/2008, com 1,88 ponto, e o Joesley Day, em 18/05/2017, com 1,86 ponto. Na ocasião da delação da JBS, o Ibovespa chegou a cair 10% e acionou o primeiro circuit breaker desde 2008, enquanto o dólar subiu 8,15%, a maior alta diária desde 2003.
Na pandemia, o dia 19/03/2020 aparece em quinto lugar, com 1,48 ponto, refletindo o período entre as manhãs de 18 e 19 de março, quando a Bolsa acionou o sexto circuit breaker do mês e o Copom cortou a Selic para 3,75% ao ano. Já a crise das hipotecas, em 16/08/2007, ocupa a sexta posição, com 1,13 ponto, em meio à disseminação dos chamados subprime e ao socorro de US$ 11,5 bilhões à Countrywide.
A lista reúne ainda episódios como a eleição de Donald Trump, em 11/11/2016, com 0,78 ponto, e o discurso na transição, em 11/11/2022, com 0,76 ponto. Também figuram a pressão fiscal e cambial de 19/12/2024, com 0,97 ponto, e as incertezas em torno dos precatórios e da Selic, em 29/10/2021, com 0,99 ponto, quando o Tesouro Direto suspendeu as negociações três vezes no mesmo dia.
Nos títulos atrelados à inflação, a maior alta da série ocorreu em 12 de março de 2020, de 1,62 ponto, seguida pela última segunda-feira, com 1,34 ponto, e pelo Joesley Day, com 1,02 ponto. Em episódios de forte volatilidade, é comum que o Tesouro Nacional cancele leilões e recompre títulos, e que o Banco Central atue no mercado de câmbio. Nesses casos, os papéis de prazo mais longo tendem a registrar as maiores perdas na marcação a mercado, já que a alta dos juros afeta mais os vencimentos distantes. A perda só se concretiza para quem vende antes do vencimento; quem mantém o título até o fim recebe a rentabilidade contratada no momento da compra.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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