Paris, Notre-Dame e Saint-Denis: Leão XIV percorrerá a história cristã da França
A viagem do Papa Leão XIV à França, entre os dias 25 e 28 de setembro, será também um percurso pela história do cristianismo no país. Paris e Saint-Denis, primeiras etapas da visita, colocarão o Pontífice diante de diferentes momentos da trajetória da Igreja francesa: das tradições ligadas a São Dionísio, considerado o primeiro bispo de Paris, aos novos rostos das comunidades cristãs, dos lugares de estudo e formação aos espaços de acolhida de pessoas em situação de exílio.
Na tarde de sexta-feira, Leão XIV percorrerá de papamóvel os 2,5 quilômetros que separam a igreja de Notre-Dame-des-Champs da praça Saint-Michel. O trajeto remete às origens da evangelização de Paris e à memória de São Dionísio. Segundo a tradição preservada pela paróquia, Notre-Dame-des-Champs estaria relacionada a um antigo santuário onde Dionísio teria pregado aos habitantes de Lutécia. A figura do santo situa-se entre a tradição e a história: a Legenda Áurea ampliou os relatos sobre sua vida, enquanto Gregório de Tours, no fim do século VI, o apresenta como um dos bispos enviados para evangelizar a Gália e relata seu martírio durante as perseguições romanas. Os dados arqueológicos confirmam a antiguidade do local funerário e do santuário de Saint-Denis, mas não permitem comprovar todos os episódios associados à sua vida.
Na manhã seguinte, o Papa estará no Institut Catholique de Paris, fundado em 1875, para encontrar membros da Assembleia Sinodal provincial, catecúmenos e neófitos. Outro momento significativo será a visita à catedral de Notre-Dame, onde celebrará as Vésperas com bispos, sacerdotes, diáconos, pessoas consagradas e seminaristas. A catedral conserva a Coroa de espinhos, parte da madeira da Cruz e um dos pregos da Paixão, e, após o incêndio de 2019, voltou a se apresentar como uma catedral marcada pela capacidade de renascimento.
No sábado pela manhã, a dimensão missionária da viagem ganhará um rosto diferente na Maison Bakhita, no 18º arrondissement de Paris. O espaço acompanha e promove a integração de pessoas em situação de exílio, respondendo ao apelo lançado pelo Papa Francisco em 2017 para "acolher, proteger, promover e integrar" essas pessoas. A instituição recebeu o nome de Josefina Bakhita, mulher sudanesa escravizada e torturada antes de se tornar religiosa na Itália, canonizada por São João Paulo II em 2000.
O itinerário do Papa chegará novamente a Saint-Denis durante o fim de semana, quando mais de 80 mil jovens, entre 17 e 35 anos, são esperados no Stade de France para uma vigília de oração com Leão XIV. O local recupera simbolicamente o ponto de partida da narrativa missionária associada a São Dionísio que, segundo a tradição, teria sido decapitado em Montmartre.
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Por Redação