Pedro Alliana assume o governo do Paraguai após destituição de Santiago Peña
O vice-presidente Pedro Alliana assumiu o comando do Paraguai nesta sexta-feira, 6 de novembro, após o Senado aprovar por unanimidade o impeachment de Santiago Peña. A mudança ocorre em meio a uma grave crise política e financeira desencadeada pela quebra do banco digital Ueno Bank. Alliana deve completar o mandato presidencial, com permanência prevista no cargo até agosto de 2028.
Aos 52 anos, Alliana tem carreira consolidada no Partido Colorado, legenda que domina a política paraguaia há mais de uma década. Formado em Relações Internacionais, já atuou como governador e deputado, chegando a presidir a Câmara e o próprio partido. É visto como representante da ala conservadora, com defesa de pautas ligadas aos valores tradicionais e à proteção da família. Na economia, prega a manutenção de impostos baixos e o incentivo ao capital estrangeiro para garantir segurança jurídica e atrair investimentos.
A transição ocorreu após um processo conturbado no Parlamento. Assim como Peña, Alliana também foi alvo de um pedido de impeachment protocolado pela oposição, que o acusava de omissão diante das irregularidades que levaram ao colapso do Ueno Bank. Enquanto Peña foi destituído pelo Senado, a Câmara dos Deputados arquivou as acusações contra Alliana por 48 votos a 30. A rejeição garantiu o respaldo legal para que tomasse posse e evitasse a convocação de novas eleições antecipadas.
A trajetória do novo governante não é isenta de controvérsias. Ele enfrentou acusações de nepotismo devido à contratação da filha, Montserrat, para um cargo de assessoria na Câmara dos Deputados com salário elevado, mesmo sem ela ter concluído o ensino superior. Alliana negou interferência direta; o caso foi investigado pelo Ministério Público e arquivado pela Justiça por falta de provas de tráfico de influência. Sua relação com o influente ex-presidente Horacio Cartes passou por uma ruptura pública antes de uma reaproximação estratégica.
No âmbito externo, Alliana já demonstrou postura firme em relação ao governo brasileiro. Em julho deste ano, criticou falas do presidente Lula sobre a Guerra da Tríplice Aliança, classificando as declarações como inoportunas e ofensivas ao sentimento nacional paraguaio. Participou ainda da entrega de uma nota diplomática de protesto, com exigência de devolução de troféus de guerra, como canhões e documentos históricos.
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