Petróleo sobe 4% com falta de acordo EUA-Irã e possível restrição a diesel nos EUA
Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta nesta quarta-feira, 23, interrompendo uma sequência de cinco sessões consecutivas de baixa. O movimento foi impulsionado pela frustração do mercado com a falta de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã e pela possibilidade de restrição às exportações de diesel pelos norte-americanos.
Na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), o contrato do Brent para novembro subiu 4,14%, a R$ 103,39. O Brent para dezembro avançou 2,84% (US$ 2,71), a US$ 98,12 o barril. Na Nymex, o WTI para novembro teve alta de 1,81% (US$ 1,64), a US$ 92,16 o barril.
Irã e EUA confirmaram que não houve progresso nas negociações, afastando a perspectiva de fim do conflito no Oriente Médio no curto prazo. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que o país mantém opções militares contra Teerã. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, alertou os europeus sobre "consequências de longo prazo" ao apoiar o que chamou de "crimes de guerra" cometidos por EUA e Israel em Gaza e no Irã. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou na ONU que a navegação livre no Estreito de Ormuz só será retomada após a suspensão de sanções.
Também contribuiu para a alta a notícia, publicada pelo Politico, de que o governo Trump prepara um plano para proibir as exportações de diesel por 90 dias. A Casa Branca negou a informação. Trump afirmou na terça-feira, em Nova York, que defendia junto a membros do governo a interrupção das exportações do derivado para conter a alta de preços no mercado doméstico. Nesta quarta, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, alertou que uma eventual proibição poderia provocar efeitos não intencionais, estrangulando a oferta de diesel e gasolina e elevando os preços.
O Bank of America elevou sua previsão para o preço do Brent no segundo semestre, de US$ 83 para US$ 95 por barril, citando a grande interrupção no abastecimento de petróleo bruto e de produtos refinados. O banco avalia que a continuidade dos confrontos até o fim do ano é o cenário mais provável, embora rotas alternativas e transportes escoltados por Ormuz tenham mitigado parte da escassez. O Departamento de Energia dos EUA informou que os estoques de petróleo no país tiveram alta de 2,969 milhões de barris na semana, contrariando a expectativa de queda de 500 mil barris dos analistas.
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Por Redação