Poço Bento: um milagre vivo de São José de Anchieta
O Poço Bento, também conhecido como Poço de Anchieta, é um dos testemunhos atribuídos à passagem de São José de Anchieta pelo estado do Rio de Janeiro. Segundo a tradição católica, o local fica no município de Magé, na Baixada Fluminense, nas proximidades do antigo Porto Velho da Piedade.
De acordo com o relato religioso, entre 1565 e 1573 Anchieta percorreu essa região, que beira a Baía de Guanabara e servia de acesso tanto ao interior do continente quanto ao nordeste do país, passando pelo Espírito Santo até a Bahia. Na época, a população local enfrentava uma grande seca e uma epidemia provocada pela água salobra, sem água potável disponível, o que ameaçava a permanência da comunidade no local.
Conforme a narrativa transmitida pelos devotos, Anchieta abençoou e perfurou o solo ressequido com seu próprio cajado, às margens da Estrada da Piedade, e do furo começou a jorrar água potável. O poço, segundo essa tradição, continua a brotar água até hoje. Por isso, muitos peregrinos passaram a acorrer ao local não apenas em busca de água, mas também de subsistência espiritual. O Poço Bento é descrito como lugar de muitos milagres e de graças recebidas pela intercessão do santo jesuíta.
O espaço foi preservado ao longo do tempo. Em 1940, o proprietário das terras manifestou a intenção de doar o local à Matriz de Nossa Senhora da Piedade. Em 5 de abril de 1964, foram construídos ao lado do poço o altar e a Cruz, abençoados em Celebração Eucarística pelo Núncio Apostólico dom Armando Lombardi, com a presença do cardeal dom Jaime Câmara, arcebispo do Rio de Janeiro, e de dom Manuel da Cunha Cintra, bispo diocesano de Petrópolis. Em 1981, o frei Francisco Battistini construiu a igreja dedicada ao santo recém-beatificado.
Atualmente, o local reúne o Poço Bento e a capela dedicada a São José de Anchieta, além de uma área de eventos coberta, com cozinha e banheiros anexos, e um espaço arborizado. O poço foi coberto por uma espécie de baldaquino com oito pilares — número que remete à ressurreição —, simbolizando uma fonte batismal, lugar de vida nova. O espaço é aberto à visitação, a peregrinações e a eventos como congressos e retiros. Em 23 de agosto deste ano, por ocasião do ano jubilar diocesano, o bispo de Petrópolis, Dom Joel Portela Amado, tornou o Poço Bento um Santuário Diocesano por decreto, reconhecimento oficial que impulsiona a devoção e a peregrinação dos fiéis ao local.
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Por Redação