Poucas horas para renunciar: como os generais de Getúlio Vargas puseram fim a 15 anos de Estado Novo
Após 15 anos no poder, Getúlio Vargas foi deposto em 29 de outubro de 1945 por um movimento militar articulado dentro do próprio gabinete, que pôs fim ao Estado Novo (1937-1945). Os responsáveis pela deposição foram os generais Eurico Gaspar Dutra, ex-ministro da Guerra que assumiria a presidência em 31 de janeiro de 1946 e permaneceria no posto até a mesma data de 1951, e o então ministro da Guerra Góis Monteiro — dois homens de confiança do presidente.
O estopim foi a nomeação de Benjamin Vargas, irmão de Getúlio, apelidado de "Bejo", para a Chefia de Polícia do Rio de Janeiro, então capital federal. Vargas vinha prometendo eleições e ensaiando uma transição controlada depois de 15 anos ininterruptos no comando do país. Para conter os protestos e o movimento "Queremista", que pedia sua permanência no poder, o presidente exonerou o chefe da Polícia Federal do Distrito Federal, João Alberto Lins de Barros, e nomeou o irmão para o cargo. A escolha foi interpretada pela cúpula das Forças Armadas e pela oposição como uma manobra para perpetuar o regime ou dar um novo golpe de Estado.
A reação dos generais foi imediata: enviaram um ultimato ao presidente, exigindo a renúncia ou a deposição pelas armas. Sem apoio militar e disposto a evitar derramamento de sangue, Getúlio concordou em assinar a renúncia naquela mesma tarde e deixou o cargo, abrindo caminho para a redemocratização. Ele retornou a São Borja, no Rio Grande do Sul, sua terra natal. Com a deposição, todos os quadros com a foto dele como presidente foram removidos das paredes das repartições da noite para o dia.
Apesar de terem comandado o golpe, os militares preferiram manter as aparências institucionais para garantir uma transição pacífica. Em vez de assumirem a presidência imediatamente, o então presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro José Linhares, ocupou o cargo interinamente até a posse de Dutra, em janeiro do ano seguinte. Vargas manteve-se recolhido em sua cidade, preparando o retorno por vias democráticas na eleição de 1950, e permaneceu no cargo até o suicídio, em 1954.
Esta matéria foi publicada primeiro em CNN Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentarPor
Redação