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Quando é a hora certa de largar mão de uma ação com perda?

Atualizado em 12/09/2026 às 07:35 schedule 3 min de leitura visibility 1 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O Ibovespa voltou a subir nesta semana, apesar do recuo na sexta-feira (10), com o mercado precificando uma disputa eleitoral mais acirrada, mas o movimento ainda está longe de compensar a perda de alguns papéis mais castigados da Bolsa. Diante da expectativa de melhora para quem está posicionado nesse tipo de ação, surge a dúvida: qual é a hora certa de vender, especialmente com a renda fixa tão atrativa?

Para Renan Schroeder, head de varejo da Mirae Asset Brasil, a questão não se resume ao momento da venda, mas às decisões tomadas antes mesmo da compra. Segundo ele, a maioria dos investidores só pensa em vender quando o papel já está em queda e o prejuízo supera o esperado. "O investidor compra a ação apenas com uma expectativa de valorização e, quando o cenário muda, deixa de analisar a situação de forma 100% racional, permitindo que emoções influenciem suas decisões", afirma. É nesse contexto que o investidor "casa com o papel", abdicando de outras oportunidades. Schroeder lembra de casos como Lojas Americanas, Gol, Magazine Luiza, Oi, Azul e Cogna.

O mercado tem exemplos que ilustram a importância de definir limites de perda, o chamado stop loss. A gestora Squadra Investimentos admitiu que o investimento em Hapvida (HAPV3) foi seu maior erro, prejudicando os resultados dos fundos desde o ano passado. Schroeder cita ainda a Casas Bahia (BHIA3), cujas ações chegaram a valer R$ 400 em 2020 e, nesta semana, eram negociadas a R$ 0,75, após a empresa anunciar pedido de recuperação judicial.

Flavio Terni, cofundador do family office Revert, defende que o limite de perda não protege o dinheiro, mas o investidor dele mesmo. "Quando uma ação cai, a tendência natural é buscar argumentos para continuar no papel, porque vender significa admitir o erro", explica. Ele vê três caminhos práticos: definir um percentual sobre o preço de entrada, como perder 15% ou 20% e sair para reavaliar; estabelecer a tese por escrito antes de comprar, saindo caso o motivo da compra deixe de existir; e controlar o tamanho da posição, para que nenhum erro comprometa o patrimônio.

Schroeder considera um bom parâmetro a regra de 1 para 3: se o objetivo de lucro é de 15%, o limite de perda seria de 5%. Já Gustavo Assis, CEO da gestora Asset, reforça que uma queda isolada não indica necessariamente o momento de vender. O problema surge quando os fundamentos se deterioram, como piora na geração de caixa, aumento do endividamento, redução de margens, mudança de governança ou perda de vantagem competitiva. "Comprar uma ação não encerra o processo de análise; é justamente quando começa o monitoramento da tese", diz.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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