Quem chega melhor à reta final? Lula e Flávio disputam os últimos votos móveis
A uma semana do primeiro turno das eleições de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) entram na fase decisiva da campanha separados por poucos pontos nas principais pesquisas, com rejeições semelhantes e espaço reduzido para conquistar eleitores fora dos dois polos.
As três pesquisas de maior repercussão divulgadas nesta semana colocaram Lula numericamente à frente, com diferenças que variam conforme o instituto. Na Quaest de segunda-feira, o presidente marcou 37%, contra 33% de Flávio. Na AtlasIntel/Bloomberg, divulgada na quarta, o placar foi de 45,8% para Lula e 43,4% para o senador. Já o Datafolha desta quinta registrou 40% para o petista e 36% para Flávio.
Os levantamentos também mostram uma disputa que se comprimiu ao longo da campanha. No Datafolha, a diferença entre os dois era de dez pontos em junho, passou para oito em julho, seis em agosto e chegou a quatro pontos agora. A aproximação ocorreu principalmente com o avanço de Flávio, enquanto Lula preservou um piso elevado, mas enfrenta dificuldade para ampliar seu eleitorado além dos que se declaram de esquerda.
Essa dinâmica explica por que o voto útil ganhou espaço no discurso das duas campanhas. No Datafolha mais recente, Augusto Cury (Avante) aparece com 5%, Ronaldo Caiado (PSD) com 4% e Renan Santos (Missão) com 3%. Na Quaest, Cury tem 6%, Caiado 4% e Renan 3%. É nesse contingente que a campanha de Flávio vê uma das principais reservas de votos para a última semana, já que boa parte dessas candidaturas está à direita ou ao centro-direita.
Para Lula, a reta final também é uma tentativa de recuperar o controle do noticiário após uma sequência de crises que atingiu o governo e seu entorno, como o caso Banco Master, os desdobramentos envolvendo o Supremo Tribunal Federal e investigações relacionadas ao INSS. Segundo a AtlasIntel/Bloomberg, 52,3% dos entrevistados consideram que a crise envolvendo o STF prejudica mais Lula, enquanto 20,8% apontam Flávio como o mais afetado e 15,5% dizem que os dois são atingidos igualmente. Na estratégia do governo entraram o reajuste do Bolsa Família, o debate sobre canetas emagrecedoras pelo SUS e a ofensiva contra as bets.
Do outro lado, Flávio tenta consolidar o avanço registrado desde agosto e atrair eleitores de candidaturas menores da direita, intensificando o pedido de voto útil. As simulações de segundo turno reforçam o quadro apertado: no Datafolha, Lula teria 47% e Flávio 45%; na Quaest, Flávio aparece com 42% e Lula com 41%; na AtlasIntel/Bloomberg, 47,7% para Lula e 47,4% para Flávio. Em todos os confrontos, a diferença está dentro das respectivas margens de erro.
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Por Redação