Quem é a pessoa humana perante a autêntica Face de Cristo?
A verdadeira face de Jesus Cristo se apresenta como o centro e a chave de leitura do mistério humano. É o que sustenta o texto assinado pelo diácono Adelino Barcellos Filho, da Diocese de Campos (RJ), ao tratar da relação entre a pessoa humana e a revelação cristã.
Segundo a reflexão, a pluridimensionalidade humana não significa fragmentação da pessoa, mas riqueza de dimensões que precisam ser integradas. A complexidade do ser humano se reflete no entrelaçamento de suas dimensões: corpo, inteligência, afetividade, consciência, liberdade, sociabilidade e espiritualidade. A plenitude só é alcançada quando todas essas esferas constitutivas são harmonizadas.
O texto alerta que reduzir a pessoa de forma utilitária ao consumo, à produtividade, à estética ou às emoções imediatas fragmenta sua dignidade, eclipsa seu valor intrínseco e destrói o fundamento da fraternidade. Essa perspectiva desconsidera a dignidade do indivíduo e reduz seu valor a resultados e satisfações temporárias, anulando a visão do homem como um fim em si mesmo, possuidor de uma vocação eterna e inalienável.
A face de Cristo, conforme a reflexão, não é mera projeção ideológica, psicológica ou social dos anseios humanos, nem pode ser reduzida a uma figura puramente histórica ou a um mestre de princípios morais. Pelo dogma da Encarnação e pela união hipostática — formulada no Concílio de Calcedônia —, Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, reunindo as duas naturezas de forma inseparável, indivisa, inconfundível e imutável. Ao assumir a condição humana sem anular sua divindade, Cristo revela o Pai e eleva a humanidade ao seu grau máximo de dignidade.
O texto cita a Constituição Pastoral Gaudium et Spes (n. 22), do Concílio Vaticano II, segundo a qual a elucidação do mistério humano ocorre verdadeiramente apenas à luz do mistério do Verbo encarnado. Recorda ainda que, ao trabalhar com mãos humanas, pensar com inteligência humana, agir com vontade humana e amar com coração humano, Cristo santificou a totalidade da existência terrena e resgatou a imagem de Deus vulnerada pelo pecado. A contemplação do rosto de Cristo, conclui a reflexão, revela a dignidade e a vocação integral da pessoa humana desde a fecundação.
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