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Quem é o homem mais rico da África — e por que ele quer vender parte de seu império

Atualizado em 28/09/2026 às 19:50 schedule 4 min de leitura visibility 0 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O empresário nigeriano Aliko Dangote, apontado como o homem mais rico da África, lançou a maior oferta pública inicial de ações da história do continente ao listar sua empresa de refinaria de petróleo na bolsa de valores da Nigéria neste mês. Segundo a agência de notícias Reuters, se todas as 4,1 bilhões de ações disponíveis forem vendidas, a operação arrecadará 2,15 trilhões de nairas nigerianas — o equivalente a US$ 1,6 bilhão — para ajudar na expansão da refinaria, que já tem capacidade para processar cerca de 700 mil barris de petróleo bruto por dia.

O bilionário batizou a abertura de capital de "IPO do Povo", promovendo a venda como uma oportunidade para que os cidadãos possuam parte de uma empresa que muitos nigerianos já consideram um patrimônio nacional. A compra mínima é de 5.525 nairas, cerca de R$ 20, valor inferior ao de muitas outras ofertas de ações. No primeiro dia da venda, aplicativos de investimento tiveram dificuldades técnicas para lidar com a alta demanda. Apesar do entusiasmo, analistas alertam que os preços das ações podem cair ou subir. "Eles deveriam investir apenas um dinheiro de que não precisarão pelos próximos três, quatro ou cinco anos", disse à BBC o consultor financeiro Abdulrazak Ibrahim Fagge.

Aos 69 anos, Dangote é a pessoa mais rica da África, com fortuna superior a US$ 51,5 bilhões, segundo dados da revista Forbes de 20 de setembro. Ele domina há décadas os mercados de cimento, açúcar, sal e fertilizantes da Nigéria. Em 2024, seu império representava um terço do valor de todas as empresas listadas na bolsa nigeriana. Vindo de uma família com tradição nos negócios — seu bisavô era o homem mais rico da África Ocidental quando morreu —, ele começou a empreender ainda na escola, comprando doces em grandes quantidades e contratando outras crianças para vendê-los. Após se formar em administração de empresas, iniciou seu negócio de comércio de commodities com um empréstimo de 500 mil nairas, quitado em menos de seis meses.

A estratégia de Dangote tem se concentrado na substituição de importações, com empresas que produzem localmente bens que a Nigéria tradicionalmente compra do exterior. A refinaria, que iniciou a produção em 2024 e hoje fornece mais de 70% do consumo de energia do país, pretende dobrar sua capacidade, segundo o documento da oferta de ações. Dangote afirma que a expansão impulsionará a independência econômica da região e ajudará nações africanas a se tornarem autossuficientes em energia. "Isso garante que os países recebam seu próprio produto. Eles não vão mais viver na miséria. A refinaria está lá, é para eles", disse ele à BBC.

O avanço do império para o petróleo, porém, levantou preocupações sobre um novo monopólio privado. Em 2024, a organização beneficente Oxfam relatou que Dangote "detém um 'quase monopólio'" no setor de cimento na Nigéria. Ele nega as acusações e afirma que suas empresas investem de forma significativa onde outros não conseguiram. O jornalista Lekan Sote, colunista do jornal nigeriano The Punch, avalia que as afirmações de que a expansão trará independência econômica a partes da África são "provavelmente exageradas", embora reconheça que a refinaria poderá baixar preços na região devido à economia de escala. Críticos também apontam que a riqueza gerada não chega às pessoas comuns, e os negócios do grupo já foram alvo de ações judiciais relacionadas a impactos ambientais — a Dangote Cement pagou um pacote de indenização de US$ 270 mil a moradores dos arredores de uma de suas fábricas.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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